sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Retratos da vida de um Lobo da Rádio

Calou-se a Voz
Em destaque na revista BLITZ [Dezembro 2009; publicada hoje], um notável trabalho de Rui Miguel Abreu, de seis páginas e com várias fotografias, sobre o mais importante e influente radialista português dos últimos 30 anos.

retrovisor; pags 32 a 37:













António Sérgio é o destaque do Retrovisor deste mês

Quatro décadas de rádio e a assinatura de programas que tiveram a capacidade de definir os tempos fizeram de ANTÓNIO SÉRGIO uma referência maior do panorama musical português. O homem do Som da Frente ou d' A Hora do Lobo desapareceu a 1 de Novembro, aos 59 anos. Rui Miguel Abreu falou com Ana Cristina Ferrão, mulher do radialista durante 30 anos, e juntos contam a história da vida do Mestre.

"Quando se abre o microfone, numa estação de rádio, não se tem, normalmente, ninguém pela frente - o auditório é invisível e isso é quase sempre ponto fulcral na hora de se tentar explicar a magia deste meio. Mas nem a invisibilidade contraria a certeza de que do outro lado há sempre uma multidão à escuta. Para António Sérgio, no entanto, bastava que uma só pessoa o escutasse para que aquilo que fazia valesse a pena. Cada pessoa que o ouviu ao longo das últimas décadas terá sentido pelo menos uma vez que Sérgio lhe falava ao ouvido, naquela voz grave e segura que revestia qualquer sugestão de uma improvável nobreza.

Ana Cristina Ferrão, sua mulher desde 1979, confirma esta ideia na hora de fazer o balanço de uma vida: 'Claro que ele tinha a noção de que estava a falar para muita gente, mas nunca ligou muito a isso. Penso que privilegiava mais a comunicação singular. Aliás, costumávamos brincar e dizer às vezes 'será que esta noite temos um ou dois ouvintes?'. E depois alguém telefonava a dizer que nos estava a ouvir e nós brincávamos: 'afinal já são três'. Eram muitos mais. Continuam a ser muitos mais.

Ler texto integral na revista BLITZ nº42 / Dezembro 2009.
+ editorial do Director Miguel Francisco Cadete e ilustração/caricatura de Rui Ricardo (pag. 4).

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

A LUGAR COMUM apresenta:




















NOISERV (Portugal)
Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009, 23:00
Salão Brazil – COIMBRA

A voz de Laura Gibson, frágil e doce, como que encerrou este primeiro volume da narrativa da Lugar Comum. Contudo, resta-nos ainda um epílogo, a ser escrito no próximo dia 11 de Dezembro, desta vez em português. Chama-se David Santos e assina Noiserv. Em 2005, pela conhecida "net label" Merzbau, gravou e editou um EP intitulado "56010-92", um primeiro registo que lhe valeu a atenção da imprensa e o empurrou para uma série de concertos. O seu imaginário é habitado por referências como Thom Yorke, Elliott Smith, Sigur Ros ou Tom Waits, nomes cujo legado não só percorre as suas faixas como o influencia a estender cada vez mais as fronteiras das suas composições. Um concerto de Noiserv é hoje um meticuloso exercício de construção; uma oportunidade de observarmos a laboratorial composição de melodias, recorrendo a utensílios como melódicas, teclados vários, caixas de música, glockenspiels e percussão. E, no entanto, nunca David perde de vista a sua dimensão de cantautor, conservando uma notória simplicidade e guardando a intimidade de momentos como aqueles que contaremos presenciar. Após ter surpreendido em vários palcos europeus (Alemanha, Áustria e Reino Unido), e na antecâmara de uma aguardada presença no Festival Super Bock em Stock, Noiserv apresenta, pela primeira vez em concerto, o seu álbum One hundred miles from thoughtlessness, na cidade de Coimbra. Uma oportunidade para conhecermos aquele que é um dos mais promissores autores portugueses.

Links:
http://www.myspace.com/noiserv

Preço entrada:
€ 5,00 (oferta de um pin para associados da Lugar Comum)
A reserva de entradas poderá ser efectuada através do endereço geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de entradas pretendido, Nome, BI e Contacto). O pagamento será efectuado à entrada do concerto mediante confirmação da reserva.

LUGAR COMUMAssociação de Promoção e Divulgação Cultural

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

É para guardar e recordar








Continuam a ser publicadas online emissões de «Viriato 25» de António Sérgio, na página de podcast da RADAR.
É para guardar e recordar:

24 de Junho 2009 – 1ª parte
24 de Junho 2009 – 2ª parte

25 de Junho 2009 – 1ª parte
25 de Junho 2009 – 2ª parte

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Entre o Caos e o Sonho












Entre o Caos e o Sonho (sempre!)

Uma chamada de atenção para a mais recente publicação de «Miss Tapes» (edição nº 89): O destaque vai direitinho para a sequência do tema “Dream Baby Dream” dos Suicide em várias visões através do génio de Alan Vega (fã de Elvis Presley) e do mago sónico Martin Rev, passando também por uma visão onírica de Bruce Springsteen (fã de Elvis e de Vega) numa prestação ao vivo e ainda de uma parceria de Vega com Alex Chilton (parceiro e artista contemporâneo de Vega).Mas esta pequena chamada de atenção é para algo maior: o tratamento que Hugo Pinto – autor único de «Miss Tapes» – faz destes sons e da multiplicidade em crescendo que deles resulta, ganhando uma superlativa dimensão. Não conta para aqui se o efeito alcançado foi ou não consciente, se foi mais ou menos forjado, ou se “apenas” se trata (muita atenção a estas aspas!) de uma feliz conjugação ocasional. Nada disso importa agora. O resultado é NOTÁVEL!
E que bem que sabe ver (e ouvir!) Alan Vega ser tão bem tratado [coisa rara, como se sabe. Ele – Alan Vega – está habituado a ser menosprezado em todos os media, facto que só lhe dá maior força]. A primeira vez que Vega foi assim tão bem tratado por cá, e que me tenha apercebido, foi na «Íntima Fracção», ao longo do Outono/Inverno de 1988/1989, na sua derradeira temporada na RDP-Antena1. Ao tempo, através do celestial “I Surrender”. Principalmente no último ano na rádio pública, no ano de 1989. E agora na edição 89 (já não são coincidências a mais para serem só coincidências?) Hugo Pinto oferece-nos esta delícia. Não é por mero acaso que Francisco Amaral considera «Miss Tapes» a extensão mais evidente da «Íntima Fracção». Começo a acreditar.

Keep your dreams, baby

NOTA: A arte de Alan Vega & Martin Rev (os Suicide) também já teve tratamento justo e merecido na «Rádio Crítica»: Além VEGA (18.Fevereiro.2008) Sábado à tarde em Coimbra – Os territórios indie e as suas fronteiras

Texto originalmente publicado no blogue «Irmandade do Éter» (18.Novembro.2009)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

A Lugar Comum apresenta:
















Laura Gibson (USA)

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009 (22:00)
Oficina Municipal do Teatro – COIMBRA


Nos últimos meses parecem surgir cada vez mais singer songwriters oriundos do lado de lá do Atlântico, e no entanto poucos terão tido a capacidade de nos encantar como Laura Gibson o fez, através de Beasts of seasons. Faixas como Spirited ou Sweet deception constituem momentos em que nos deparamos com um tímido embalo, em que somos assaltados pela emergência de uma contida inquietude, em que as palavras são demarcadas na sua fragilidade e doçura. Beasts of seasons parte de um sentimento de solidão, encerrando dois caminhos, duas escolhas definidas pela sua autora na estrutura daquele: num "Lado A" encontramos as denominadas "Communion songs", composições que exploram as relações com a família, com terceiros, com Deus; no seu "Lado B" as "Funeral songs" são determinadas por um sentimento de solidão, pela forma como a autora lida com essa condição e a assume como inevitável. Esta conceptualização é reveladora do cuidado de Laura Gibson ao tecer os fios deste seu trabalho, da enorme carga emocional que percorre cada uma das suas letras, cada uma delas portadora momentos de redenção, ou como a própria refere, de alívio. Mas se a solidão marca o trajecto deste segundo álbum de Laura Gibson, já a sua gravação contou com a colaboração de inúmeros músicos, também eles oriundos da cidade de Portland, entre outros, Nate Query (The Decemberists), Rachel Blumberg (Bright Eyes), Adam Selzer (Norfolk & Western), Danny Seim (Menomena) e a não menos ilustre Laura Veirs. Este é um projecto pessoal e confessional de Gibson, que por algum momento nos remete para algo mais que a sua escrita, a sua voz e as suas composições. Será desta forma que se apresentará em Coimbra.

Links:
Laura Gibson - MySpace
Last Fm da Lugar Comum

Preços:
ASSOCIADOS LUGAR COMUM - €7
NORMAL - €8

A reserva de entradas poderá ser efectuada através do endereço geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de entradas pretendido, Nome, BI e Contacto).
Contactos: Lugar Comum
Email: geral@lugarcomum.pt

LUGAR COMUMassociação de promoção e divulgação cultural

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

O Direito à Diferença

















Terminou às três da manhã (e não às duas como inicialmente estava previsto) a homenagem da Antena3 a António Sérgio. Foi ao som de “Jesus' Blood Never Failed Me Yet” de Gavin Bryars & Tom Waits, precedido por um “Take Care” na voz de Ana Cristina Ferrão, que caiu o pano sobre uma notável emissão de oito horas de duração sobre o Lobo. Nesta maratona puderam-se ouvir imensas histórias reais ocorridas com António Sérgio ao longo dos seus mais de 40 anos de Rádio. Escutaram-se sons históricos e pedaços de antigas emissões dos míticos programas «Rolls Rock»; «Som da Frente» ou «Lança Chamas». Memórias vivas, através de depoimentos gravados e em directo de familiares, amigos, colegas, ex-colegas, antigos colaboradores e assistentes de realização, admiradores e fãs do Mestre.
Uma iniciativa louvável por parte deste canal de serviço público que, nesta emissão especial, fez total jus à sua concessão legal de Rádio Pública.

Sons e imagens da homenagem a António Sérgio na Antena3
(09 de Novembro 2009; 19:00/03:00) aqui

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Na toca do LOBO












Fotografia de Rita Carmo (XFM, 1994)

Já não é o bichinho da rádio que morde, já sou eu que sou o bicho da rádio!


Anos 80 em Portugal

"Nessa altura divulgar música nova tinha um rótulo de militância e era objecto de admiração, até pelo país que Portugal era, onde o peso do Antigo Regime estava fresco. Através da música existia esforço para acompanhar um comboio de cultura, de alegria de viver que era irreversível. Não era só música, era uma nova maneira de pensar, que tem a ver com livros ou filmes. Esse período foi uma bóia de salvação, uma forma de dizermos "vamos sair daqui", do marasmo dominante em Portugal".

António Sérgio
In: «PÚBLICO» (2006)




















Primeira parte da "LISTA REBELDE", apresentada por António Sérgio no dia 17 de Outubro de 1984, no histórico programa diário «Som da Frente», nas tardes da Rádio Comercial.

LISTA REBELDE – 1º bloco:

01 – GUN CLUB – Sex Beat
02 – SCRITTI POLLITTI – Sweetest Girl
03 – U2 – Pride (In The Name of Love)
04 – BRONSKI BEAT – Smalltown Boy
05 – WAH! – 7000 Names of Wah!
06 – JOY DIVISION – Atmosphere
07 – THE THE – Perfect0
08 – TONE ON TAILS – Performance
09 – BAUHAUS – Kick In The Eye
10 – CURE – Faith (Live)
11 – ASSOCIATES – Party Fears Two
12 – THIS MORTAL COIL –Song To The Siren
13 – COMATEENS – Late Night City
14 – WATERBOYS – A Pagan Place
15 – VIRGINIA ASTLEY – Love’s a Lonely Place To Be
16 – MOTORHEAD – Please Don’t Touch
17 – PSYCHADELIC FURS – Love My Way
18 – ECHO & THE BUNNYMEN – Back To Love
19 – TALKING HEADS – Great Curve
20 – U2 – Glória

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O que dizem DELE:

"Conheci o António há muitos anos e sempre trabalhámos com grande proximidade. Ele deixa uma marca indelével na rádio portuguesa.
Curiosamente ele começou na Rádio Renascença, onde seguiu as pisadas do pai. Posteriormente encontramo-nos, julgo pela primeira vez no lançamento da revista «Música e Som», publicada em princípios dos anos 70.
Tinha uma voz fantástica e característica. A qualidade inacreditável que sempre teve de estar à frente, de ser capaz de ouvir e perceber aquilo que era algo, que ia ser determinante, uma coisa boa.”
João David Nunes
(Director-fundador da Rádio Comercial)


"Era uma pessoa fantástica, talvez uma das primeiras pessoas que eu conheci da rádio. Foi há 28 anos, quando editámos o primeiro disco da Sétima Legião.
"Era uma pessoa que já não via há muitos anos, mas acompanhava sempre os seus programas de rádio, ultimamente ouvia-o na rádio Radar",
Rodrigo Leão
(Músico fundador dos Sétima Legião e dos Madredeus)


"Era sempre um prazer falar com ele, porque era uma pessoa que amava a música e falava sempre entusiasticamente. A memória mais forte que tenho é que comecei a ouvir rádio a ouvir António Sérgio. Lembro-me de ter 15 anos e ouvir o «Rotação». É uma grande parte da minha formação musical na altura e parte dos meus hábitos musicais."
Joaquim Paulo
(Ex-colega de António Sérgio na Rádio Comercial)


“Era a referência de quando eu era adolescente, de quando o rádio era o instrumento por excelência.
Sempre lhe demos primazia nos trabalhos que íamos fazendo. Era uma espécie de agradecimento pelo trabalho que ele fez e pelo crescimento musical de gerações, nas quais eu me incluo."
Adolfo Luxúria Canibal
(vocalista, letrista e fundador dos Mão Morta)


"Deixa um vazio na rádio portuguesa" por este ser último grande radialista vivo, da rádio que se fazia antigamente, a do programa de autor". "Vai ser um bocado estranho como vai ser o futuro da rádio sem uma pessoa como o António Sérgio. É uma perda muito grande. A melhor homenagem que lhe podemos fazer é continuar a ouvir a música que ele nos deu a conhecer."
Álvaro Covões
(Empresário)


"Era um grande profissional, uma referência, um mestre da rádio. Alguém que deu um contributo enorme para a divulgação de música nova. Tinha grande visão de futuro, era o som da frente. O John Peel português. Estava sempre preocupado com os ouvintes".
Luís Montez
(Ex-colega de António Sérgio na Rádio Comercial e proprietário da RADAR, rádio onde António Sérgio trabalhava)


"Às vezes não acertava, mas na maior parte acertava. Era uma idealista da música e da rádio. É insubstituível."
António Macedo
(Radialista; ex-colega de António Sérgio na Rádio Comercial)


"No início, era a única personagem do meio a quem dávamos a ouvir as nossas cassetes. Foi ele o "professor" do nosso primeiro disco. Quando arranjou editora [Rossil] produziu-nos e estabelecemos de imediato uma cumplicidade muito forte. A sua morte é uma perda enorme."
Zé Pedro
(Guitarrista dos Xutos & Pontapés)


"Desde os anos 70 que agentes sorrateiros se agacham atrás dele, tentando puxar-lhe a cadeira, a ver se cai", escreveu. "Mas o homem sempre esteve ocupado de mais para reparar. Fincou os pés, sacou dos discos e fez o que sempre fez: o que lhe estava na real gana."
Miguel Esteves Cardoso
In: «PUBLICO» (2007)


“Perde-se uma figura impar da rádio, de mente aberta e um gosto verdadeiro pela música. As bandas que passava nos seus programas tinham garantidamente o selo de qualidade. Uma voz que dispensa qualquer tipo de apresentação”.
Fernando Ribeiro
(Vocalista dos Moonspell)


António Sérgio: O Bom Lobo
Os que agora são jovens não fazem a mínima ideia do que perderam. Só lhes resta ouvir e consumir a pastilha das playlists e olharem para as nossas colecções de vinil e CD com os seus milhares de títulos com nomes estranhos e desconhecidos como um burro olha para um palácio.
Faltar-lhes-á sempre uma hora em companhia de um Lobo.


Por Orlando Leite, Publicado em 02 de Novembro de 2009 no diário «I».
Ler artigo completo aqui

"Não era seu fã (não percebia nada do que dizia nem alinhava nos mesmos gostos musicais), mas curvo-me perante a sua memória.
Foi co-fundador do jornal Blitz (1984)."
Luís Pinheiro de Almeida
(ex-radialista) In: «Ié-Ié» (blogue)

domingo, 8 de Novembro de 2009

«Viriato 25» em podcast

















A RADAR está a responder com prontidão ao repto dos fãs, ouvintes e admiradores do Lobo.
Estão já disponíveis duas horas de uma emissão do programa «Viriato 25» de António Sérgio, transmitido no dia 22 de Junho de 2009.

Para ouvir e guardar:

«Viriato 25» (22 Junho 2009) 1ª hora
«Viriato 25» (22 Junho 2009) 2ª hora

A oferta é muito boa mas ainda escassa. Queremos mais!!!

sábado, 7 de Novembro de 2009

Homenagem a António Sérgio
















Fotografia de Rita Carmo (XFM; 1994)

Emissão especial
A Antena 3 presta homenagem na segunda-feira, entre as 19.00 e as 02.00, ao radialista, divulgador e editor musical António Sérgio, que morreu na noite de sábado, aos 59 anos, vítima de problemas cardíacos.

A emissão, com sete horas de duração, começa às 19.00 com a Prova Oral de Fernando Alvim, permitindo aos ouvintes falar sobre o radialista. A partir das 20.00, Álvaro Costa, Miguel Quintão, Henrique Amaro, Pedro Costa, Nuno Calado, António Freitas e Ana Cristina Ferrão, a mulher de António Sérgio, conduzem as conversas com vários convidados - profissionais e amigos do radialista - como Zé Pedro, Ricardo Casimiro, Luís Montez, David Ferreira, Aníbal Cabrita, Paulo Fernandes, Luís Filipe Barros, José Paulo Alcobia, Jaime Fernandes, Rui Pego, Rui Morrison, Pita, Nuno Galopim, Pedro Ramos e outros.

In: «Diário de Notícias»
Sexta-feira, 06 de Novembro 2009

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Palavra de LOBO

A última entrevista na Imprensa escrita. António Sérgio entrevistado por Sarah Adamopoulos na revista «Notícias Magazine», publicada no dia 19 de Julho de 2009.















Dos escritores sugere-se por vezes que escrevem sempre o mesmo livro, como se se vissem de facto impedidos de escrever um outro, suficientemente diferente para que ninguém desse pela obsessão que os anima. Talvez seja este um padrão (até certo ponto inconsciente), não especificamente literário, mas ainda assim próprio dos autores. António Sérgio não pareceu embaraçado com a possibilidade de também ele se dedicar desde sempre a fazer o mesmo programa de rádio. Vamos começar por chamar-lhe “Som da Frente”, porque era esse o nome do programa mítico que nos anos 80 transformou a rádio portuguesa num lugar de vanguarda – mas também porque a música de que ainda hoje se ocupa é inquestionavelmente um som que nada deve à nostalgia. “Não é o vira o disco e toca o mesmo mas acaba de facto por haver uma linha de orientação que é sempre a mesma.”

Texto: Sarah Adamopoulos; fotografia: Rui Coutinho
In: A Espuma dos Dias (blogue)
PDF do trabalho integral aqui

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

O Lobo RESISTE!








A voz do Lobo contunua a soar na emissão da RADAR. Frases soltas de António Sérgio. Que nunca se cale!
A última entrevista a António Sérgio na Rádio foi no programa «Fala Com Ela» de Inês Meneses, na própria RADAR no dia 01 de Dezembro de 2007, em vésperas da estreia do programa «Viriato 25».
Está disponível para ouvir e guardar aqui

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Rádio Nostalgia










Tristezas não pagam dívidas (alegrias também não) e é sempre preciso continuar em frente.
Nova festa do blogue «Queridos Anos 80», [o tal blogue que dava um grande programa de Rádio] no local que já é o lugar do costume: no bar/esplanada «Ar D’Mar» na praia Canide Norte, Vila Nova de Gaia.

Anúncio publicado no blogue «Queridos Anos 80»:

Este sábado, 7 de Novembro, marcamos encontro no Ar D’Mar. O motivo é nobre: o primeiro aniversário do novo espaço à beira-mar. Para celebrar o momento, a dupla de DJs do costume, Pedro Mineiro e tarzanboy, que põe toda a gente a dançar ao som das melhores músicas da década de 80 (com alguns toques da anos 70 e 90 também…). O momento exige festa e o champanhe e o bolo não faltarão, tudo isto temperado pela nova climatização que o Ar D'Mar vai inaugurar. Próximo sábado: a ordem é dançar e festejar. Apareçam!

Texto sobre António Sérgio no blogue «Queridos Anos 80»:
“Este homem ensinou-me a ouvir música”



Winning
O videoclip de um dos temas da primeira de duas colectâneas editadas pela EMI-Valentim de Carvalho (2002; 2005) com temas emblemáticos do programa «Som da Frente» de António Sérgio na Rádio Comercial, programas realizados pelo Lobo entre 1982 e 1993.
Este tema dos The Sound tem a cara desses tempos áureos de António Sérgio nas tardes de segunda a sexta-feira na Rádio Comercial.

The Sound – "Winning" (álbum "From The Lions Mouth", 1981)

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

A última emissão do SOM DA FRENTE

António Sérgio fechou as portas do célebre «Som da Frente» na Rádio Comercial em 1993, numa sexta-feira dia 13. Acabara ali um dos mais importantes programas de sempre na história da rádio em Portugal. Seguir-se-ia o «Grande Delta» na XFM.
Artigo da autoria de António Pires publicado no jornal BLITZ a propósito desta despedida:
















O que se faz quando se perde alguém de quem gostamos? Foram quase 30 anos a ouvir aquela voz única na Rádio. Quase sempre de noite. Quase sempre na noite da Rádio.












Fotografia de Rita Carmo (XFM, 1994)

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

ANTÓNIO SÉRGIO












(1950-2009)

Até ao passado Sábado era ainda a voz mais carismática da Rádio em Portugal. Era-o desde o início da década de 80. Um pouco por todo o lado se tem escrito e dito sobre a importância – e muita – da figura ímpar que agora desaparece. Apenas talvez tenha ficado por dizer que foram incontáveis e muitas vezes inomináveis os sacrifícios que António Sérgio teve que fazer na vida para poder fazer o que fez na Rádio. É por esse preço impagável por tudo o que abdicou que não se lhe fez a devida justiça em vida. Trabalhou até morrer. Uma referência incontornável, um exemplo único e notável. E os exemplos seguem-se, mas não se repetem.

P.S: Magnífica a homenagem que a RADAR tem feito a António Sérgio. Toda a tarde e até à uma da manhã deste dia, transmitindo em contínuo emissões do programa «Viriato 25». O lobo continua a ser a voz da estação alternativa.

Que a RADAR disponibilize em podcast programas de António Sérgio. É um repto!









Os programas de Rádio que marcaram a carreira de António Sérgio:

Rotação (1977-1980) Foi o seu primeiro programa de autor, ainda na Rádio Renascença. Foi através deste programa que ajudou a lançar nomes cimeiros da música portuguesa, incluindo os Xutos & Pontapés.

Rolls Rock (1980 – 1982) O primeiro programa que fez na Rádio Comercial, que na altura ainda dava pelo nome de RDP – Canal 4. O conceito por detrás do programa – nas palavras de João David Nunes [Director fundador da Rádio Comercial em 1979] – era ser “uma coisa especial, edições muito específicas e muito boas”.

Som da Frente (1982 -1993) Como o próprio nome indica, tinha como missão estar na linha da frente das novidades. Trazer até aos ouvintes portugueses o que de novo se fazia em Portugal e no Mundo e estar na vanguarda das novas sonoridades.

Lança-Chamas (Anos 80 na Rádio Comercial) Programa dedicado à chamada música pesada e ao heavy metal.

Loiras, Ruivas ou Morenas (Anos 80 na Rádio Comercial) Programa realizado pela mulher de António Sérgio, Ana Cristina Ferrão, em que António Sérgio passava apenas música interpretada por mulheres. De Ellis Regina a Janis Joplin.

Rei Lagarto e Outras Histórias (1987 na Rádio Comercial, domingo 18:00/19:00) Série realizada com Ana Cristina Ferrão sobre Jim Morrison e os The Doors a propósito dos 20 anos do clássico “Light My Fire”.

Grande Delta (1993 – 1997) Programa matinal de segunda a sexta-feira das 10:00 às 13:00 na XFM.

A Hora do Lobo (1997 - 2007) O programa esteve no ar dez anos, entre a Comercial e a Best Rock FM, e dedicava-se a dar a conhecer as franjas menos conhecidas do pop-rock. Foi cancelado porque tinha deixado (segundo a direcção assumida pelo grupo Prisa) de se enquadrar na grelha. O fim do programa originou reacções e protestos. “Serviu como uma espécie de resumo de carreira. Porque o António Sérgio sempre foi um lobo solitário, mas de olhar penetrante”, definiu João David Nunes.

S.O.S. RADAR (2007 – 2009) Crónica musical diária com três horários ao longo do dia.

Viriato 25 (2007 – 2009) O seu mais recente programa, na RADAR FM, em cujos estúdios ainda no Sábado tinha estado a gravar.

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António Sérgio na «Rádio Crítica»:

A VOZ DO LOBO (04 de Abril de 2005)

António Sérgio na Rádio Comercial (10 de Abril de 2006)

Viriato 25 (20 de Novembro de 2007)

António Sérgio – O Lobo que ruge (04 de Dezembro de 2007)

O que ELE diz (07 de Dezembro de 2007)

















Fotografia de Rita Carmo

António Sérgio na blogosfera e na imprensa escrita:

Este homem ensinou-me a ouvir música (Blogue «Queridos Anos 80»)

O direito à diferença por Nuno Galopim («Diário de Notícias» 02 de Novembro 2009)

António Sérgio, muito mais que o "John Peel português" («Diário de Notícias» 02 de Novembro 2009)

Miguel Esteves Cardoso: A música de António Sérgio é a melhor PÚBLICO» 17 de Setembro de 2007)

Voz histórica da rádio portuguesa («PÚBLICO» 01 de Novembro 2009)

António Sérgio, mestre da rádio em Portugal («BLITZ» 01 de Novembro 2009)

sábado, 31 de Outubro de 2009

LINHAS CRUZADAS #30










O encontro histórico de que vos venho falar aconteceu em Março e 1963. Em apenas dois dias de gravação, num estúdio em Nova Iorque, escreveram-se as mais famosas páginas da mundialização da Bossa Nova.
O disco «Getz/Gilberto» traduz a mais conhecida faceta internacional do movimento cultural nascido no Brasil pelas mãos de António Carlos Jobim, Vinicius De Moraes e João Gilberto.
A mais famosa "Garota de Ipanema" da história encontra-se aqui, nas vozes do Mito João Giberto e da então sua mulher Astrud (a cantar em inglês); nas teclas do piano do Mestre Soberano Jobim, no saxofone do norte-americano Stan Getz e na poesia de Vinicius De Moraes.













Mais de 45 anos depois, perdura fresca e cristalina a arte maior de um estilo único de música cantada em português na primeira das três obras absolutas da internacionalização da Bossa Nova. Os outros dois marcos essenciais são os discos que Jobim fez com Frank Sinatra, em 1967 e João Gilberto com Claus Ogerman [«Amoroso»] dez anos depois.
Vem da primeira metade dos anos 60 este cruzamento mágico entre Astrud, Jobim, Getz e Gilberto.

Ouvir/download/podcast

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

A Partilha

















O programa de Rádio «Vidro Azul» (também podcast; 04 de Agosto) de Ricardo Mariano abriu o leque de escolhas musicais a amigos e conhecidos inscritos na rede social ‘Facebook’ do qual também faz parte. É uma emissão em que o alinhamento díspar e eclético sai da escolha do autor. É a partilha numa vertente nova, apesar das imensas limitações de real partilha e comunicabilidade das redes sociais. Assim vale a pena.

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O que eles dizem (47)

«Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails, e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, “leves”, disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão.»

Miguel Sousa Tavares

Via «Jornalismo e Comunicação»
(08.Agosto.2009)

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

A LUGAR COMUM apresenta:
















Outubro marca o regresso à actividade da Lugar Comum.
Regressamos ao espaço da Galeria Ícone, onde já acolhemos Simone White, para desta vez receber o duo francês:
DOMINGO (França)

Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009 (22:00) - Galeria Ícone – Coimbra

Anna (uma menina de grandes olhos negros) e Sam (um rapaz de barba e cabelos ruivos) vivem juntos, em Paris. Ela tem ascendência americana e ele libanesa. Gostam de Elliot Smith, Bonnie Prince Billy, Nick Drake, Grandaddy, etc.
Juntos formam também os Domingo. Pela editora francesa Third Side Records lançaram o seu homónimo disco de estreia. A palavra que talvez possa melhor descrever este(s) Domingo é delicadeza. Letras que falam de desertos, da adolescência, de segredos de família, de confissões, conduzem-nos por melodias simples, mas encantadoras. Escritas em momentos de ausência, vivem num universo onde as guitarras e as vozes imperam, em canções tão doces quanto tristes.


Links:
Domingo - MySpace
Last Fm da Lugar Comum

Preço
ASSOCIADOS LUGAR COMUM – €5
NORMAL – €6
LOTAÇÃO MÁXIMA – 70 pessoas

Contactos: Lugar Comum
Email: geral@lugarcomum.pt

Dada a lotação limitada da sala, aconselhamos a reserva de entradas através do endereço geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de entradas pretendido, Nome, BI e Contacto).

LUGAR COMUMassociação de promoção e divulgação cultural

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (9)








[Intervalo TV]

Gato Fedorento na SIC, depois do «Jornal da Noite». O «Daily Show» à portuguesa pelo quarteto de humoristas Ricardo Araújo Pereira, Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis. Começou ainda no Verão, antes das eleições legislativas, atravessou todo o ciclo eleitoral que incluiu as eleições autárquicas e terminará já em pleno Outono. Um final de Verão com um olhar televisivo diferente e alternativo em relação à exposição mediática de alguns dos principais políticos nacionais do momento e também outras figuras públicas.







Ver programas aqui

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (8)














Waves
Segundo os técnicos de meteorologia, o fenómeno natural que provoca a ondulação do Mar na costa ocidental portuguesa é derivado dos ventos que sopram – ou não – no Atlântico Norte, na zona entre a Islândia e a Irlanda.
Fazendo boa fé nessa informação, então muito vento tem faltado neste Verão por aquelas paragens.
Mar flat vezes demais na costa ocidental portuguesa. Para as exigências de adrenalina em causa, chamei-lhe muitas vezes “Mar Concavo!”
No final do Verão, ou melhor dito, no seu prolongamento já no início do Outono, aí sim! As ondas com a dimensão que tanto procurei, apesar de as ter alcançado ainda no Verão num ou noutro dia. Ainda assim, nada como aquele dia de Agosto do ano passado. Que o digam Ana, Paulo, Catarina, Ruben, Varanda, Santos e Lajas. Aquilo é que foi!

domingo, 27 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (7)

















Festival BOM

Terá sido “a crise” e, por via disso, a alteração de orçamento que reduziu a dimensão do festival «BOM» (Barreiro Outras Músicas) deste ano? O encolhimento de ousadia em relação ao ano anterior foi notório.
Do cartaz deste ano nem um artista de renome internacional, ao contrário do ano passado, onde se destacaram as presenças de Mark Eitzel & American Music Club ou ainda Vic Chesnutt.
Todavia, Sean Riley & The Slowdivers (de Coimbra) fizeram parte do cardápio do festival BOM 2009, para além das novas revelações do fado (Carminho) e do pop português (Os Golpes). As actuações estiveram ao nível do esperado.
Destaque para Sean Riley & The Slowdivers. A divulgação nacional deste agrupamento de Coimbra (cantam em inglês) aconteceu primeiramente através de uma reportagem da ESEC-TV (RTP2; quartas-feiras por volta da 01:00 da manhã) e tem – desde há meses – divulgação nas rádios nacionais de maior dimensão. No entanto, a actual música de Sean Riley & The Slowdivers não é conhecida do grande público português. E porquê? Porque a divulgação na Rádio existe, mas é insuficiente. Outra razão talvez seja a de cantarem em inglês num estilo pop-rock-country-folk norte-americano. Os americanos que o fazem fazem-no melhor.

sábado, 26 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (6)

Íntima Fracção verão 1989

Setembro de 1989. Estava a «Íntima Fracção» a dar os últimos passos no serviço público de radiodifusão. Dirigia-se a um futuro de 14 anos felizes na TSF-Rádio Jornal (1989 – 2003).
Nos primeiros meses apenas na transmissão da TSF/RJC-Rádio Jornal do Centro, na região de Coimbra. Com a entrada em vigor da nova grelha de 1990/1991, iniciada em Outubro de 1990, a «Íntima Fracção» regressaria ao éter nacional. Também futuramente será aqui publicada essa primeira emissão na rede TSF do início da década de 90.
Vinte anos depois, aqui ficaram dois dos últimos momentos (não os derradeiros) da história da «Íntima Fracção» na sua primeira etapa de vida, na RDP-Antena1.

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1ª parte [incompleta]

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2ª parte [incompleta; inclui noticiário da 01:00 na RDP-Antena1]

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (5)












Colecção Bossa Nova

De 11 de Julho a 26 de Setembro, o jornal «Público» levou a cabo a publicação de uma série de 12 pequenos livros e outros tantos CD’s dedicados a figuras marcantes e decisivas do movimento Bossa Nova no seu período clássico. Como era de esperar, um conjunto de registos extremamente incompleto e pouco representativo – não nos protagonistas seleccionados – no reportório publicado nesta colecção.
Duas considerações: Uma colecção sobre o melhor da Bossa Nova sem O MELHOR da Bossa Nova – O Mito João Gilberto – nunca poderia ser grande coisa. Mas compreendo que os direitos de publicação dos registos do artista em causa seja uma questão complicadíssima e até legalmente inultrapassável.
Salva-se a honra da iniciativa com a excelência dos textos de Ruy Castro, jornalista, escritor e biógrafo brasileiro, estudioso especialista do maior movimento cultural em língua portuguesa iniciado há mais de meio-século na cidade do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (4)



Sílvia Machete – "Eu Só Quero Saber de Você"

Ela tem todo o molejo e todo o remelejo da contínua renovação da Bossa Nova.
Vem do Verão deste ano o álbum «Bomb of Love: Música Safada Para Corações Românticos». Não fosse esta artista possuir uma atitude demasiado desalinhada e atrever-me-ia a afirmar que estaria aqui a melhor cantora brasileira de Bossa Nova desde Nara Leão.
Vamos ver de agora em diante qual o caminho que Sílvia Machete vai enveredar mas, se ela quiser e souber, será a nova musa da Bossa Nova ainda durante as primeiras duas décadas do século XXI.

Imagens do videoclip gravadas em Coney Island, New York (USA)


quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (3)
















Tarantino

«Inglorious Bastards» foi o filme de Verão deste ano. Diálogos interessantíssimos e interpretações soberbas. A vertente violenta tão cara a Tarantino (em minha opinião desnecessária) continua em elevados níveis («Pulp Fiction»; «Cães Danados»; etc.), mas desta vez – ao contrário do que afirmei aqui sobre «Death Proof» – existe algo de muito mais substancial.
A ver e rever.

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (2)



Lua de Prata

Nos quarenta anos da chegada do Homem à Lua ouviram-se, em evocação dessa data histórica (20 de Julho 1969), canções que falam dos encantos lunares e outros a ela directamente ou indirectamente ligados.
Desde clássicos do Jazz cantado, a outros géneros mais ou menos conhecidos, houve a oportunidade de escutar na Rádio o tema “Silver Moon” de David Sylvian (álbum «Gone to Earth» de 1986), a escassos dois meses de uma nova publicação a solo do ex-líder dos Japan.
As celebrações de datas que sirvam para alguma coisa para além disso.
Seria um grande passo para a Humanidade, um pequeno passo para a Rádio.

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Nove coisas do Verão 2009 (1)













Ryan’s Daughter

Foi a primeira vez que voltei à grande sala escura da Cinemateca após o desaparecimento de João Bénard da Costa. Sessão única na sala Dr. Félix Ribeiro no dia 23 de Junho. Uma noite de Verão no Cinema de grande escala.
O realizador inglês David Lean não é dos cineastas mais amados pela Cinemateca Portuguesa, como se pode ler em textos que acompanham os seus filmes (as célebres e muito úteis «Folhas da Cinemateca») ou ainda pelas palavras do próprio antigo director João Bénard da Costa. Mas louvem-se os programadores do Museu do Cinema em Lisboa: os filmes de Lean são exibidos.
Foram necessárias duas décadas para que se começasse a fazer a devida justiça a este filme de 1970. Assim como Bénard da Costa defendeu quase irracionalmente «Johnny Guitar» de Nicholas Ray, assim defendo «Ryan’s Daughter» de David Lean. Não são precisas razões para defender-se uma obra que se ama. Só emoções.
Ainda sobre as publicações da Cinemateca: já urge a publicação das «Folhas da Cinemateca»* sobre a filmografia completa de David Lean.

*Esta série de publicações em livro de capa mole acontecem após a morte dos cineastas. David Lean morreu em 1991.

Imagens do filme «Ryan's Daughter»:












































Robert Mitchum . Trevor Howard . Christopher Jones . John Mills . Leo McKern . Sarah Miles . Barry Foster . Marie Kean . Arthur O'Sullivan . Evin Crowley . Gerald Sim . Niall Toibin . Emmet Bergin . Brian O'Higgins

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Como no Cinema - Mensagem














Amantes da Rádio, amigos, conhecidos e não conhecidos, leitores, pessoas interessantes e interessadas:
Ao longo deste Verão a republicação dos seis programas de índole marítima da série «Como no Cinema». Pela segunda vez disponíveis na Internet (download/podcast), as emissões desta republicação apresentam-se com som melhorado.
E o sexto e último dos programas é «Mensagem».

Vozes:
Maria Azenha
Mário Máximo
Francisco Queirós

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Outros haverão de ter
O que houvermos de perder
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar
Foi achado, ou não achado
Segundo o destino dado

Mais pormenores aqui

A série de programas «Como no Cinema» foi transmitida na TSF entre Outubro de 2000 e Julho de 2001. Tiveram a primeira publicação na Internet entre Outubro de 2006 e Setembro de 2007.

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Como no Cinema - Ode Marítima













Ao longo deste Verão a republicação dos seis programas de índole marítima da série «Como no Cinema».
Pela segunda vez disponível na Internet (download/podcast), as emissões desta republicação apresentam-se com som melhorado. E o quinto dos programas é «Ode Marítima».

Vozes: Maria Germana Tânger; João Grosso; Aníbal Cabrita

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Toda a vida marítima! Tudo na vida marítima! Insinua-se no meu sangue toda essa sedução fina. E eu cismo indeterminadamente as viagens. Ah, as linhas das costas distantes, achatadas pelo horizonte! Ah, os cabos, as ilhas, as praias areentas! As solidões marítimas, como certos momentos no Pacífico.

Mais pormenores aqui

A série de programas «Como no Cinema» foi transmitida na TSF entre Outubro de 2000 e Julho de 2001. Tiveram a primeira publicação na Internet entre Outubro de 2006 e Setembro de 2007.


segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Como no Cinema - Saudades do Mar













Ao longo deste Verão a republicação dos seis programas de índole marítima da série «Como no Cinema».
Pela segunda vez disponível na Internet (download/podcast), as emissões desta republicação apresentam-se com som melhorado. E o quarto dos programas é «Saudades do Mar».

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O horizonte é linha de água
Por estrelas-peixe enodoada
Se me recordo em bruma e mágoa
À solidão da ilha trago-a
Dentro de mim petrificada

Vozes:
Fernando Alves
Inês Meneses
Aníbal Cabrita

Mais pormenores aqui

A série de programas «Como no Cinema» foi transmitida na TSF entre Outubro de 2000 e Julho de 2001. Tiveram a primeira publicação na Internet entre Outubro de 2006 e Setembro de 2007.


segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Como no Cinema - Moinho de Maré












Ao longo deste Verão a republicação dos programas de índole marítima da série «Como no Cinema».
Pela segunda vez disponível na Internet (download/podcast), as emissões desta republicação apresentam-se com som melhorado. E o terceiro dos programas é «Moinho de Maré».

Vozes:
Márcia Breia
Guilherme Almeida
Inês Meneses
Aníbal Cabrita
Maria Azenha

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Água que nasce no rio
E morre no mar
Há ali esquecido um moinho de maré

Você já lá foi?
A água entra por um lado

Pelo mesmo lado vai embora
E leva a memória

Mais pormenores aqui

A série de programas «Como no Cinema» foi transmitida na TSF entre Outubro de 2000 e Julho de 2001. Tiveram a primeira publicação na Internet entre Outubro de 2006 e Setembro de 2007.

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Como no Cinema - Praia













Ao longo deste Verão a republicação dos programas de índole marítima da série «Como no Cinema».
Pela segunda vez disponível na Internet (download/podcast), as emissões desta republicação apresentam-se com som melhorado.
E o segundo dos programas é «Praia».

Vozes:
Maria Azenha
Aníbal Cabrita
Baby Sandy & Mister-X

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Um grande vazio sobre a praia
O mar e uma orla estendida de areia
Polvilhada como farinha miúda
No estômago do tempo para o enganar
Tão clara como o divisor de uma fronteira
Que acumulo na memória
Imaginei então que podia dividir a praia
Em partes iguais até ao infinito

Mais pormenores aqui

A série de programas «Como no Cinema» foi transmitida na TSF entre Outubro de 2000 e Julho de 2001. Tiveram a primeira publicação na Internet entre Outubro de 2006 e Setembro de 2007.

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Como no Cinema - O Mar













Ao longo deste Verão a republicação dos programas de índole marítima da série «Como no Cinema».
Pela segunda vez disponível na Internet (download/podcast), as emissões desta republicação apresentam-se com som melhorado. E o primeiro dos programas é «O Mar».

Vozes:
João Paulo Guerra
Aníbal Cabrita
Maria Azenha
Inês Meneses
Baby Sandy & Mister-X

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Ó Mar Lago imenso de oceanos salgados
Onde os rios também naufragados
Vão por fim descansar
Ó Mar
Tecem murmúrios
Sensuais
Como os amantes
Depois Repousam em paz

Mais pormenores aqui

A série de programas «Como no Cinema» foi transmitida na TSF entre Outubro de 2000 e Julho de 2001. Tiveram a primeira publicação na Internet entre Outubro de 2006 e Setembro de 2007.

domingo, 2 de Agosto de 2009

A volta do Cinema















A «Rádio Crítica» vai de férias, não sem antes informar que haverá aqui ao longo das próximas seis semanas a publicação de um podcast semanal.
Ao longo deste Verão a republicação dos programas de índole marítima da série «Como no Cinema». Pela segunda vez disponível na Internet (download/podcast), as emissões desta republicação apresentam-se com som melhorado.

A série de programas «Como no Cinema» foi transmitida na TSF entre Outubro de 2000 e Julho de 2001. Tiveram a primeira publicação na Internet entre Outubro de 2006 e Setembro de 2007.

A«Rádio Crítica» voltará com mais reflexões e informações sobre o mundo da Rádio em Setembro.
Boas férias!

On The Beach










Está aí a sessão de Verão organizada pelo autor do blogue «Queridos Anos 80». O tal blogue que dava um grande programa de Rádio dá música para nostálgicos no próximo sábado à noite na praia Canide Norte em Vila Nova de Gaia.
Signos rememorativos das décadas de 70, 80 e 90 a rodar all night long sob a batuta dos DJ’s Tarzan Boy & Pedro Mineiro no espaço «Ar d'Mar».
Mais pormenores e imagens aqui: http://barardemar.blogspot.com/

Rádio Nostalgia


Chris Rea – “On the Beach” (1986)

Uma das muitas memórias do Verão de 1986 no videoclip da canção “On the Beach” de Chris Rea.
“On the Beach” também se pode escutar na mais recente edição de Verão do podcast «Miss Tapes» de Hugo Pinto. Também da autoria do podcaster Hugo Pinto, se recomenda a audição de «Deep Mode», onde há sons para dançar em noites quentes. “On the Beach” também está lá.

sábado, 1 de Agosto de 2009

João Paulo Patrício A.K.A. «Single Again»












Sem pertencer a nenhuma das já numerosas redes sociais que proliferam na Internet, lá vou descobrindo pessoas que algures na minha vida e história no mundo da Rádio se cruzaram nos mesmos caminhos.
Confesso que já não sabia nada de João Patrício. A última notícia que dele tive foi através da revista ‘BLITZ’, onde João Patrício apareceu na página de coleccionador de discos (revista ‘BLITZ’ nº2, Agosto de 2006; página 39 «IN VINIL VERITAS»).
De lá até agora redescobri João através de um texto no blogue «Raízes e Antenas» do jornalista e ex-radialista António Pires (Autor do livro «As Lendas do Quarteto 1111»). Curiosidade: António Pires foi meu antigo professor de Religião e Moral em 1980/81.

Em Janeiro/Fevereiro de 1996, João e eu partilhámos a feitura de um mini trabalho para a TSF sobre a actuação do então novel projecto musical nacional chamado Danças Ocultas que, na altura, se preparava para actuar no CCB, após a então recente edição do disco de estreia.
João Patrício foi radialista na Rádio F (Guarda) RUC-Rádio Universidade de Coimbra, TSF-Rádio Jornal e recentemente colaborava na RDP-Antena2.
João Patrício estará por aí ao longo do Verão a distribuir música em performances algures pelo país, em espaços de festas (alguns ao ar livre), actuações em centros históricos, locais de diversão nocturna, etc.
Se o virem por aí cumprimentem-no. Para além de outros talentos, é um homem da Rádio.

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quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Quase Famosos













Porque o melhor da música não tem que ser um segredo escondido; Porque há muita música de qualidade que não conhece a glória dos tops

Terminou Domingo passado a segunda época completa do programa «Quase Famosos» no RCP-Rádio Clube Português.
O programa de Nuno Costa Santos e Pedro Adão e Silva vem da grelha de arranque do reinaugurado RCP (Janeiro 2007). O primeiro horário de emissão de «Quase Famosos» foi à noite, de Sábado para Domingo (00:00/02:00) e actualmente estava a ser transmitido no início das tardes de Domingo (13:00/15:00).
Os primórdios – a nível público – de «Quase Famosos» [«All Most Famous», título traduzido/adaptado retirado do Cinema] vem da Internet através de um blogue: [ http://www.quasefamosos.blogspot.com/ (07.Julho.2004 – 23.Junho.2006)], com a assinatura de seis participantes: Cristóvão Gomes, Eduardo Nogueira Pinto, Francisco Mendes da Silva, Ricardo Esteves Correia, Nuno Costa Santos e Pedro Adão e Silva. Todos eles ligados à musica enquanto consumidores e divulgadores sob a forma de DJ’s. Chegaram a “dar” música no bar «Frágil» em Lisboa.

«Quase Famosos» é um espaço de música alternativa (a frase adjacente ao nome do programa é bem elucidativa) e a sua principal característica é o espírito despretensioso, tanto do material apresentado – que feliz e assumidamente nunca chegará aos Tops de massas – como da apresentação dos autores, sem vozes trinuantes de locutores de FM. A isto ajuda a utilização de um discurso curto mas substancial. Nitidamente a informalidade e o aparente alinhamento aleatório de temas musicais difundidos provocam um agradável efeito surpresa. Claramente em contra-corrente com as playlists dominantes que de surpreendente não têm absolutamente nada.

«Quase Famosos»
Ver alinhamentos dos programas: http://quasefamosos-rcp.blogspot.com/

Domingo passado, Nuno Costa Santos e Pedro Adão e Silva despediram-se desejando boas férias, declarando que também merecem descansar (não se põe isso em causa) mas sem anunciarem o regresso depois das férias. Os autores remeteram a continuidade de escuta para o podcast e downloads (via Internet no site da estação) dos programas já transmitidos pelo RCP. Ficámos sem saber se «Quase Famosos» fará a terceira temporada no RCP. É natural que até os próprios autores não saibam se voltam. O RCP – renovado desde Janeiro de 2007 – é pródigo em incógnitas quanto ao dia de amanhã. Desde a reestruturação operada até hoje, que a grelha de programação sofreu inúmeras alterações. Programas que aparecem e subitamente desaparecem sem chegarem sequer a aquecer o lugar, radicais mudanças de horários de outros tantos programas, conteúdos vários e também – principalmente – de pessoas. Apresentadores, jornalistas, colunistas e convidados pretensamente permanentes ou regulares mudam ou desaparecem constantemente. A instabilidade emocional da estação transparece no dia-a-dia. Os balanços de uma navegação tempestuosa já tiveram piores momentos, mas parece que o RCP ainda está em busca do rumo certo e ainda não encontrou a sua própria voz. A bússola frágil aponta para vários “Nortes”, e nada mais há de severamente prejudicial para uma estação de rádio que a irregularidade. É o caminho mais curto para perder ouvintes ou, no caso do RCP, não os ganhar.
É claro que o RCP tem coisas boas. Algumas muito boas mesmo. «Quase Famosos» é só um exemplo, mas felizmente há mais.








A negação da Rádio na Rádio
Actualmente – isto é, desde há largas semanas – que o RCP estabelece prolongados simultâneos com o canal televisivo por cabo TVI-24. Horas e horas em que o RCP – estação de rádio – retransmite o que o citado canal de TV transmite. Se no caso do programa «Lugar Cativo» a simultaneidade é assumida e devidamente enquadrada, no resto das retransmissões nada faz sentido. Mas o que é isto? No mínimo uma bizarria! A linguagem de TV é totalmente diferente da linguagem da Rádio. As peças de TV são muitas vezes legendadas, têm enquadramento adequado para quem vê e ouve em simultâneo e não para quem apenas ouve. Ouvindo o jornal das 21:00 da TVI-24 [apresentado por Henrique Garcia], por exemplo, não se sabe quem está a narrar a peça, qual a qualidade em que determinada pessoa está a falar, sobre o quê; etc, etc. E não acontece apenas com espaços noticiosos. Ao fim-de-semana à tarde é transmitido em simultâneo com a TV-I 24 os programas «À Rédea Solta» [Pedro Granger com jovens a falarem de assuntos juvenis] e as entrevistas/conversas de Alexandra Lencastre em que não se sabe quem é que está a falar porque simplesmente essa informação vital está a ser fornecida apenas a quem vê! Acresce a este facto a qualidade do som esvaziado que não é de Rádio. Se há buracos por preencher na grelha do RCP, e não se investe em programação cuidada, então ao menos que sejam ocupados por música escolhida por alguém responsável por isso (existe?) em forma de playlist. Goste-se ou não, ainda seria a Rádio na Rádio. O que é totalmente desprovido de sentido é o simultâneo Rádio-TV nestes moldes. Então para que serve a Rádio? Para que serve o RCP nessas horas? Não foi para isto que se fizeram o RCP e a TVI-24, pois não?
A D-E-S-C-O-M-U-N-I-C-A-Ç-Ã-O é total. É a negação da Rádio promovida na própria Rádio e por ela difundida.

http://radioclube.clix.pt/

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Heróis no AR















O que eles dizem (45)

«O que as pessoas que advogam as playlists defendem (na estrita linha das políticas das administrações, claro) é que têm de dar às pessoas o que elas querem. Como sabem o que é? É simples: fazem uns estudos de mercado (com uns universos que deixam muito a desejar) às portas dos supermercados, em que perguntam às pessoas o que elas gostam de ouvir. Sinceramente não acho nada fiável, é uma mentira estatística, onde não cabe um Tom Waits. Porque é preciso ver que o problema das playlists é saber o que lá se põe. Uma playlist pode ser recheada de muitas maneiras».
(...)
«Os formatos são mais baratos. Os ficheiros de áudio são muito pesados, como se sabe, exigem muita memória, mas a memória embarateceu muito. Eu posso hoje em dia programar horas e horas de emissão, e isso custa muito menos dinheiro do que ter pessoas em antena a serem criativas. A questão do custo é fundamental. Mas é preciso estar atento às consequências de só fazer assim».

António Sérgio
Autor do programa «Viriato 25»
RADAR [Lisboa 97.8 FM] 2ª-6ª feira (23:00/01:00)
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«Tudo começou com a palavra Questões. Eu já tinha feito um outro programa, chamado Questões de Família, que girava em torno das óperas – um dia dei por mim a pensar que a maior parte das histórias das óperas (e não só, também as das tragédias, as do teatro, como por exemplo a de Hamlet) eram todas questões de família. Nas óperas de Verdi também é assim, ele tem aliás uma fixação nas questões entre os pais e as filhas. Um dia esse programa acabou e pediram-me que fizesse outro. Pensei então que precisava de um conceito onde coubesse tudo, e foi assim que cheguei à palavra Moral. Mas não a moral dos costumes, antes a moral entendida como ética, sim. Porque todas as questões são questões de moral. A lei cobre muita coisa, mas e os aspectos éticos? Os do BPN estão cobertos pela legalidade, mas estarão pela moral? Uma moral para hoje».
(…)
«Os gestores, os administradores, os banqueiros, os ministros, os políticos, que eram pessoas moralmente insuspeitas, em tipos que conseguiram rebentar com a economia mundial – o que não quer dizer que não houvesse já fraudes e vigarices, mas a verdade é que a escala da questão moral é agora global, tal como o mercado».
(…)
«Quem é que em meados dos anos 1990, quando imaginei o programa, se atrevia a defender a intervenção do Estado na economia? Quem o fizesse era um retrógrado ou um fascista, um intervencionista ou, pior ainda, um comunista, que são os grandes interventores. O mercado era uma coisa sacrossanta, estava no seu esplendor, todos os opinion makers eram liberais. Foi uma vaga, que tudo liberalizou e chegou às relações de trabalho».

Joel Costa
Autor do programa «Questões de Moral»
RDP-Antena2 2ªfeira (13:00/14:00); (23:00/00:00)

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«Sempre que os puristas, ou os fundamentalistas, ficam arreliados, é bom sinal, é sinal de que estamos a deitar muros abaixo, a abrir janelas, porque a música é um bem que não deve ser fechado em clubes privados só para alguns».
(…)
«Hoje em dia, havendo uma oferta de possibilidades que parece infinita, acho que a generalidade das pessoas acaba por se perder. Mas há ainda muita gente que gosta de descobrir coisas novas, que gosta de se deixar surpreender, para além dos formatos e dos tops de vendas. Gente que vai dispensando essa música descartável, a novidade que se ouve durante uma ou duas semanas e que depois desaparece. Isso tem que ver com a maneira como se consome música e com a formação cultural que não há... e que leva a que tantas pessoas não procurem para além daquilo que é dado pelas playlists. Por outro lado, é preciso ver que muita dessa música que passa nas rádios de massas não tem nada que ver com a nossa cultura, e é também por isso que os mais jovens não ouvem rádio. O hip-hop, por exemplo, que é uma das linguagens que mais interessam os adolescentes, praticamente não existe nas rádios. E o hip-hop em português nem se fala, está ausente na maioria delas».
(…)
«A maneira como nós tratamos actualmente a música tem consequências».

Tiago Santos
Autor do programa «Planeta Jazz»
Oxigénio [Lisboa 102.6 FM] sábado (20:00/22:00)


In: «Notícias Magazine» [DN; JN] Domingo, 19 de Julho 2009
por Sarah Adamopoulos; Fotografia de Rui Coutinho
Ler trabalho completo aqui (em linha até dia 25)

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

ESTREIA EM PORTUGAL DE PIKELET E JENS LEKMAN




















Com o Verão, a Lugar Comum propõe um pouco de Suécia e um pouco de Austrália em Coimbra e, em co-produção com o Maus Hábitos, no Porto. O Salão Brazil (Coimbra) e o Maus Hábitos (Porto) acolhem a estreia em Portugal da australiana Evelyn Morris PIKELET e do sueco Jens Lekman que se fará acompanhar por Viktor Sjöberg. Depois do período de reserva apenas para associados da Lugar Comum, as reservas encontram-se agora abertas ao público em geral até à lotação prevista da sala.

EVELYN MORRIS [PIKELET] (Austrália) + JENS LEKMAN & Viktor Sjöberg (Suécia)

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009 - Salão Brazil – Coimbra
Sábado, 18 de Julho de 2009 - Maus Hábitos, Porto (co-produção Maus Hábitos /Lugar Comum)
















A voz doce de Evelyn Morris marcará presença em ambas noites. A singer songwriter australiana apresentará em solo europeu o seu primeiro longa duração, intitulado simplesmente "Pikelet". Ainda desconhecida no Hemisfério Norte, é no entanto apontada como um dos nomes mais sonantes da actual indie pop australiana, tendo actuado em palco na companhia de nomes como Beirut, Camera Obscura, Sufjan Stevens, Jeffrey Lewis e Jens Lekman.
Oriunda de Melbourne, o seu curioso percurso corre em paralelo ao do projecto Baseball, banda punk / hardcore australiana, na qual assina as funções de baterista. No entanto, é a solo que as suas composições confessionais lhe têm valido assinaláveis críticas da imprensa, tecendo nas cordas da sua guitarra (e por vezes nas teclas de um acordeão) melodias de rara beleza.
















Corria o ano de 2006, quando Jens Lekman colocou à venda através do seu website alguns dos seus instrumentos mais queridos. De imediato, a imprensa antecipou a sua desistência e muitos temeram pelo fim do seu curto percurso. Porém, meses mais tarde, o regresso ao estúdio veio desmentir aquelas notícias, tendo então o autor escandinavo explicado o motivo de tal acto: com o produto da venda comprou uma passagem de avião para San Francisco, indo ao encontro de uma menina por quem se tinha enamorado dias antes. (*)

O relato deste episódio serviria para uma qualquer faixa de Jens Lekman. Do seu registo simultaneamente melancólico e tonto seríamos resgatados por uma secção de metais que nos conduziria através de um refrão contagiante (e por vezes dançável). Pontuada por elementos electrónicos, essa mesma faixa comportaria samples de um qualquer vinil adquirido num mercado de Joanesburgo ou da cópia de Graceland que Jens escutou vezes sem conta ao longo da adolescência. A sua edição passaria então à margem de muitos, num mero EP de quatro faixas, num tributo a Arthur Russell ou Jonathan Richman, distribuída à porta de um dos seus cada vez mais raros concertos.

Jens Lekman é um músico especial. Figura frágil e naïf, ri-se de si próprio e da sua má fortuna, da forma atrapalhada como lida com os afectos e dos gestos daqueles a quem endereça as suas composições. Por vezes, causa-nos até um certo embaraço, de cada vez que escutamos um dos seus poemas. Ora faz-se acompanhar em palco de um mero ukelele como traz consigo uma orquestra formada por seis louras escandinavas, e ainda assim, qualquer que seja a formação, nunca a sua relação com o público se torna distante. Sempre foi cúmplice e próxima... paciente até nos e-mails que faz questão de responder pessoalmente.

Após a edição de Night falls over Kortedalla, em 2007, raras têm sido as ocasiões em que pisou os palcos. Revelando-se avesso a sucessivos meses de estrada, com a pressão de encenar algo celebratório todas as noites, preferiu afastar-se e rascunhar o seu próprio roteiro. Nos últimos meses passou por Seul, Sidney e Los Angeles. Encontramo-lo ao longo das próximas semanas em São Paulo, Curitiba e Buenos Aires. Longe do circuito dos festivais e das grandes salas, no presente Jens pretende apenas viajar, levando as suas composições a novas paragens, fazendo desses ocasionais concertos noites de memorável celebração.

No dia 17 de Julho, no Salão Brazil, em Coimbra e no dia 18 de Julho, no Maus Hábitos, no Porto, Jens Lekman apresentará pela primeira vez as suas composições ao público português, em dois concertos que, segundo o próprio, serão efervescentes e dançáveis.

* o episódio relatado pode ser encontrado na belíssima faixa "I don’t know if she’s worth 900K".

Links:
MySpace de Pikelet
Site de Jens Lekman
MySpace de Viktor Sjöberg

Preço (Concerto em Coimbra)
ASSOCIADOS LUGAR COMUM - €10 (+ oferta de pin)
NORMAL - €12,50 Preço
(Concerto no Porto) NORMAL - €15

Contactos: Lugar Comum
Email: geral@lugarcomum.pt

Atendendo à lotação da sala de Coimbra e à procura já manifestada de entradas para o concerto de Pikelet e Jens Lekman, a Lugar Comum decidiu, excepcionalmente para este evento, seguir orientações específicas para a reserva de entradas que podem ser consultadas no seu site oficial. As reservas para o concerto no Maus Hábitos devem ser feitas por e-mail para geral@maushabitos.com, sendo também possível adquirir bilhetes na FNAC.

LUGAR COMUMassociação de promoção e divulgação cultural

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Rádio Nostalgia



A memória
Foi a única canção que realmente gostei de Michael Jackson.
Lembro-me nitidamente da primeira vez que ouvi esta balada na Onda Média da Rádio Comercial, ainda na década de 70, onde o locutor de serviço enalteceu – e muito – as qualidades vocais de Michael Jackson, na altura um adolescente de 17 anos de idade.
E também me lembro da última vez que escutei “One Day in Your Life”, até à publicação aqui deste texto e deste vídeo. Foi numa tarde de Verão, num dia da vida. Oferta de flores brancas ao prenúncio do futuro que, de facto aconteceu mas, contra todas as previsões e desejos acalentados, também morreu numa rua de Benfica às quatro e meia da tarde. O rádio do quarto estava sintonizado na igualmente defunta Rádio Nostalgia (104.3 – Lisboa).
Nesta semana em que Jackson teve o seu funeral físico, a lembrança de uma canção que já atravessou gerações e cujo interprete ainda vai perdurar em muitas memórias.

“One Day in Your Life” foi publicado originalmente no álbum «Forever Michael», editado em 1975.
Nas imagens, uma actuação dos irmãos Jackson Five, também durante o ano de 1975. Os Jackson Five iniciaram a carreira em 1966. Michael estreou-se a solo em 1972.










A vida não pára. O autor do blogue «Queridos Anos 80» volta a organizar uma festa para nostálgicos da música popular anglo-saxónica mais conhecida de várias décadas:

O próximo sábado marca a edição de mais uma festa Geração 70 80 90, no Ar D'Mar, na praia de Canide – Norte, em Vila Nova de Gaia. As Summer Sessions estão aí, com o Verão a dar o mote e os DJs Pedro Mineiro e Tarzanboy a porem toda a gente a dançar.

NOTA: Numa recente sondagem/votação feita por Tarzanboy no seu blogue «Queridos Anos 80», a canção “Billie Jean” foi a mais votada pelos visitantes. Numa lista de 16 temas de Michael Jackson, nenhum é “One Day in Your Life”. E correctamente. Os temas a votação cingem-se apenas à década de 80.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009







Hoje no Goethe Istitut Portugal (14:00):
Conferência “Peças Radiofónicas e Leituras de Audiolivros: Especificidades e Diferenças”Com Leonhard Koppelmann. Moderação de João Almeida (director-adjunto RDP-Antena2).
(Entrada livre)

quinta-feira, 25 de Junho de 2009







Hoje no Goethe Istitut Portugal (18:00):
Debate “Criação e Produção de Audiolivros e Peças Radiofónicas: métodos, processo criativo e Desenvolvimento de Projectos”com Amélia Muge, António José Martins, João de Sousa, José Luís Peixoto, entre outros convidados. Moderação de Alexandre Cortêz.
(Entrada livre)

terça-feira, 23 de Junho de 2009







Hoje no Istituto Franco-Português (19:00):
Debate “A Rádio, o Acesso Doméstico e a Revolução Digital”com Jean Lebrun, da Rádio France-Culture.
(Entrada livre)

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Simone White (EUA)

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009 (22:30)
Galeria Ícone – COIMBRA


Alguns dias após a passagem de Jesca Hoop por Coimbra, e na antecâmara do concerto de Jens Lekman e de Pikelet, ainda há tempo para escutarmos a voz doce de Simone White. Esta singer songwriter de origem norte-americana completará desta forma o seu curto périplo pelo nosso país, que contemplará datas em Aveiro e no Porto. Apesar de ter gravado o seu primeiro trabalho em 2003, Simone White tem tido um percurso reservado, parco em edições, privilegiando o palco e as colaborações com músicos de reconhecido estatuto.

O seu segundo longa duração, intitulado "I Am The Man" e editado apenas em 2007, conferiu-lhe no entanto uma maior visibilidade. Distribuído pela Honest Jons, etiqueta de Damon Albarn (Blur, Gorillaz), este álbum não só lhe rendeu os maiores elogios junto da imprensa norte-americana, como lhe permitiu colaborar em palco com músicos como Tony Allen, Afel Bocoum, Kokanko Sata Doumbia, Candi Staton, Alela Diane e o próprio Damon Albarn, com quem actuou em Londres, há poucos meses, num concerto promovido pela Honest Jon. Ainda que o seu registo se situe num território diferente daquele em que se movimentam os seus pares, na Honest Jons, esta convivência tem lentamente moldado a sonoridade de Simone White, constatando-se uma lenta deriva em direcção à folk. No próximo dia 19 de Junho, Simone White apresentar-se-á a solo, na Galeria Ícone, no Pátio da Inquisição, num concerto em que a doçura da sua voz e das suas composições decerto será preponderante.

Links:
Simone White - MySpace
Last Fm da Lugar Comum

Preço: € 6
LOTAÇÃO MÁXIMA: 70 pessoas
A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do endereço electrónico: geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de entradas pretendido, Nome, BI e Contacto).
Contactos: Lugar Comum
Email: geral@lugarcomum.pt

LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural

domingo, 14 de Junho de 2009

A Rádio no Silêncio





















Terça-feira, 23 de Junho, no Istituto Franco-Português (19:00)
Debate “A Rádio, o Acesso Doméstico e a Revolução Digital
com Jean Lebrun, da Rádio France-Culture
(Entrada livre)

Quinta-feira, 25 de Junho, no Goethe Istitut Portugal (18:00)
Debate “Criação e Produção de Audiolivros e Peças Radiofónicas: métodos, processo criativo e Desenvolvimento de Projectos
com Amélia Muge, António José Martins, João de Sousa, José Luís Peixoto, entre outros convidados. Moderação de Alexandre Cortêz.
(Entrada livre)

Sexta-feira, 26 de Junho, no Goethe Istitut Portugal (14:00)
Conferência “Peças Radiofónicas e Leituras de Audiolivros: Especificidades e Diferenças
Com Leonhard Koppelmann. Moderação de João Almeida (director-adjunto RDP-Antena2).
(Entrada livre)

Programa completo aqui
http://www.festivalsilencio.com/

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

RP 1988 – 2009












31de Maio de 1988
A Assembleia da República aprova a Lei da Rádio que abriu o sector a operadores privados locais e regionais. Acabavam-se assim as chamadas «Rádios Pirata».
Mais de 21 anos depois do “apagão” sonoro, o que temos?

A Lei da Rádio de 1988 foi por demais irrealista. Povoou o espectro local com mais de trezentas estações e atribuiu (com grande polémica, ainda hoje por explicar cabalmente) duas frequências Regionais: CMR-Correio da Manhã Rádio [Rede Regional Sul] e Rádio PRESS [Rede Regional Norte]. Não muitos anos depois, nem uma nem outra já existiam. Da Rede Regional Sul desapareceu o CMR, extinto com a privatização da Rádio Comercial. Em seu lugar surgiu (a também já extinta Rádio Nostalgia) e agora é ocupada pelo RCP-Rádio Clube Português. A PRESS [Rede Regional Norte] desaparece – é extinta – e surge em seu lugar a expansão da TSF-Rádio Jornal, até então estação local de Lisboa.Das mais de trezentas centenas de estações locais espalhadas pelo país, já só restam menos de metade. Encerramentos, aglutinações, fusões e aquisições. Houve de tudo um pouco e é ainda um processo activo. Todos os anos existem em Portugal estações a fecharem e a conhecerem, pelo menos, um destes métodos mutatórios.












Houve concelhos que receberam mais que uma atribuição de frequência. Era de ver e de prever que a vastidão da atribuição de alvarás não tinha pés para andar de uma forma sustentada. Num mercado diminuto e pouco ou nada consolidado, extremamente flutuante e muito dependente dos poderes públicos (nomeadamente das autarquias) tornou-se até legítimo concluir que se tratou de um processo no mínimo negligente. Houve até quem dissesse – talvez não de forma despicienda – que três meses de suspensão da radiodifusão ilegal geraram uma Lei propositadamente constituída a fim de afogar os projectos por si mesmos, uma vez lançados no tabuleiro contubernal da vida real.
Nestas duas décadas de legalização das rádios em Portugal, grandes projectos radiofónicos ficaram pelo caminho. Apenas alguns que conheci no percurso de ouvinte: CMR-Correio da Manhã Rádio; Rádio Geste; Rádio Minuto; NRJ-Rádio Energia; XFM; RJC-Rádio Jornal do Centro; Rádio Nostalgia; VOXX.
É claro para todos que na oferta existente no panorama radiofónico português existem boas excepções à mediania dominante [casas-fantasma, formatos repetitivos e absurdos mimetismos], mas continuam espaços vitais por preencher. Alguns dos exemplos referidos anteriormente deixaram lugares até hoje vagos e que tinham criado os seus públicos específicos. Quer por extinção, quer por transformação, o permanente remodelar do desenho espectral dos nossos éteres tem dado origem a um crescente número de órfãos da Rádio em Portugal. É aqui que está a causa da diminuição do universo de ouvintes.
Na prática – a coberto da falácia crescente da interactividade – a Rádio está cada vez mais de costas voltadas para quem a ouve.













Para concluir, uma sugestão para os próximos meses: agora que o Verão está à porta, as viagens de carro vão aumentar um pouco. Experimentem um exercício que, a muitos níveis, é verdadeiramente estimulante não só pela aleatoriedade, como também pela surpresa – boa ou má – de ao longo dos vossos trajectos por este país de auto estradas, itinerários principais, itinerários complementares, vias rápidas e vias equiparadas ouvirem as rádios das regiões por onde vão passando.
Por umas horas, esqueçam os leitores de CD, mp3 ou as vossas rádios de eleição. Aventurem-se nas recondidas ondas dos Mega Hertz do país profundo e reflictam um pouco sobre alguns dos efeitos perniciosos que a Lei de 1988 originou.
Boa viagem!










Texto originalmente publicado em quatro partes no blogue «Irmandade do Éter»

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

A LUGAR COMUM e a Put Some têm a honra de apresentar:




















Jesca Hoop (EUA) + Pajaro Sunrise (Espanha)
Sábado, 06 de Junho de 2009 (22h30)
Via Latina – COIMBRA


Jesca Hoop é umas das mais interessantes singer-songwriters dos últimos anos. A sua música é como nadar num lago à noite, disse Tom Waits, de cujos filhos Jesca foi nanny. Nascida na Califórnia no seio de uma família Mormon, Jesca mistura referências folk às mais distintas sonoridades e o resultado é Kismet, um disco de uma excentricidade belíssima. Está em Portugal para três espectáculos em versão acústica.

Pajaro Sunrise é Yuri Mendez. Após homónimo álbum de estreia, de parceria com Pepe Lopez, granjeador de ínumeros elogios e considerado uma das boas revelações em terras vizinhas Yuri regressa com "Done/Undone, uma colecção de 22 canções divididas entre composições em grupo e a solo que reflecte as vivências de um ciclo terminado, "Done", e um novo recheado de expectactivas, "Undone". Um registo intimista de canções descarnadas de belexa desconcertante.

Links:
Jesca Hoop - MySpace
Pajaro Sunrise - MySpace
Last Fm da Lugar Comum

Preço € 6
A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do seguinte endereço electrónico: geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de entradas pretendido, Nome, BI e Contacto).

Contactos: Lugar Comum
Email: geral@lugarcomum.pt

LUGAR COMUMassociação de promoção e divulgação cultural
[Magnífico o trabalho gráfico de Joana Corker]

terça-feira, 2 de Junho de 2009

Sábado à noite em Vila Nova de Gaia









Fim-de-semana alucinante… Vila Nova de Gaia ou Coimbra? Ou ambas as cidades? Ambas as cidades!
Continua a série de magníficas noites de recordações da música dos anos ontem*, através do autor do blogue «Queridos Anos 80» – o tal blogue que dava um grande programa de Rádio – e impulsionador de todas estas iniciativas. Agora com sons adicionais das décadas de 60 e 70 do século passado. A próxima é já sábado à noite, no espaço «Ar D’Mar», na praia Canide Norte – Vila Nova de Gaia.
Já agora, vale a pena visitar a série de reports que Mister Tarzan Boy tem publicado sobre o recente evento ocorrido no Pavilhão Atlântico, em Lisboa [«Here and Now»] no passado dia 29 de Maio. Ele esteve lá e conta em pormenor como foi.

Ver, ler, ouvir e lembrar tudo e mais alguma coisa aqui: http://dear80s.blogspot.com/

*música dos anos ontem foi o nome de um programa na antiga Onda Média da Rádio Comercial, nos finais dos anos 70/inícios dos anos 80, realizado por Marques Vidal, que também apresentava com uma voz feminina (alguém se lembra? E alguém sabe o nome da locutora? Dou alvíssaras!).

quinta-feira, 28 de Maio de 2009

ÍNTIMISSIMO





Realizou-se no passado dia 9 de Maio a comemoração do 25º aniversário do programa «Íntima Fracção».
O serão do encontro directo entre o realizador Francisco Amaral e ouvintes – que vieram um pouco de todo o país – teve lugar na sala de exposições na Livraria Ler Devagar na LX-Factory, em Lisboa.
Nas imagens, a interpretação ao piano (Pedro Marques, ex-teclista dos Alla Pollaca) do tema “God Only Knows” dos Beach Boys.

Mais pormenores e mais imagens aqui

Ver fotografias de Mário Pires, autor do espaço «Retorta»

Sobre os 25 anos da «Íntima Fracção», foi publicado no passado dia 13 de Maio um perfil de Francisco Amaral no jornal da região de Coimbra «Campeão das Províncias».
Ler aqui por inteiro o artigo assinado pela jornalista Iolanda Chaves.


segunda-feira, 25 de Maio de 2009

O Cinema na Rádio
















foto: Miguel Madeira

Estão novamente disponíveis na Internet as três emissões em que João Bénard da Costa participou nas séries de programas que realizei na TSF entre os anos 2000 e 2005.
Para ouvir e/ou gravar:
Como no Cinema – «Frank Capra: O Nome Acima do Título» (1ª parte) DOWNLOAD
Como no Cinema – «Frank Capra: O Nome Acima do Título» (2ª parte) DOWNLOAD
Pontos de Fuga – «A Vida é o Ecrã» DOWNLOAD

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

JOÃO BÉNARD DA COSTA












A morte entrou na sala escura
Em homenagem ao ex-director e presidente da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, a TSF transmite hoje, depois do noticiário das 21:00, a conversa no programa «Pontos de Fuga», decorrida em 2005 na sala principal da Cinemateca em Lisboa. De uma longa conversa de mais de cinco horas, ouviremos 43 minutos de absoluta paixão pelo Cinema.
Quis o acaso do destino que fosse neste dia 21 de Maio – Dia Mundial da Diversidade Cultural – que víssemos desaparecer uma das grandes figuras da cultura nacional.
No mesmo rol dos acasos, volta à Rádio esta sessão especial da série de programas «Pontos de Fuga» que, até à data, é o meu último trabalho de autor na Rádio. Na edição original, este programa em que João Bénard da Costa é o convidado, foi mesmo o último da série a ser emitido, em Setembro de 2005 (reedição na Internet/podcast em 2007).
A conversa com João Bénard da Costa termina com um extracto da banda-sonora do filme «Johnny Guitar» (na voz de Peggy Lee), filme realizado por Nicholas Ray (1954) e que será exibido amanhã, sexta-feira (21:30) pela Cinemateca numa sessão especial em homenagem a João Bénard da Costa. «Johnny Guitar» é um dos filmes da vida de João Bénard da Costa.
A programação normal da Cinemateca está suspensa até segunda-feira.

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O que eles dizem (45)

Um dia muito triste para o cinema português.
Uma das pessoas mais importantes para o cinema português.
Ninguém sabe nem se apercebe e vai-se descobrindo, pouco a pouco, a importância do João Bénard e a falta que nos vai fazer. Se há pessoas insubstituíveis, o João Bénard é uma delas.
Paulo Branco (Produtor de Cinema)

A seguir ao Dr. Félix Ribeiro, é uma referência fundamental na afirmação da cultura portuguesa, e teve um papel decisivo na afirmação da Cinemateca Portuguesa.
Eu gostaria de o recordar neste momento como um grande escritor.
Foi com António Alçada Baptista uma das almas da revista «O Tempo e o Modo», que teve uma importância fundamental na preparação da Democracia e na abertura de horizontes na vida literária e artística em Portugal.
João Bénard da Costa deixa um vazio impossível de preencher. É uma perda irreparável.
Guilherme d'Oliveira Martins (Presidente do Centro Nacional de Cultura)

Tinha um conhecimento como ninguém sobre a obra de Manoel de Oliveira.
João Fernandes (Director do Museu Serralves)

Criou a melhor cinemateca da Europa. Sem João Bénard da Costa não haveria cinema em Portugal, não haveria ideias para o cinema, nem um comportamento tão rigoroso sobre a acumulação de informação sobre o cinema.
Foi um actor excelente nos filmes de Manoel de Oliveira.

João Botelho (Realizador de Cinema)

É um golpe muito profundo. Estou muito emocionado.
Orientava muito bem a Cinemateca, escrevia admiravelmente e representava também muito bem. Chegou a participar em alguns filmes meus.
Manoel de Oliveira (Realizador de Cinema)

Um homem com um conhecimento único sobre o cinema.
Ele era o rosto, de facto, da Cinemateca Nacional. Era um homem de uma cultura extraordinária, era um gosto ouvir os seus discursos nas cerimónias do 10 de Junho, ler as suas crónicas, ler os seus textos.
É um dia de luto para a cultura portuguesa.
Aníbal Cavaco Silva (Presidente da República)

Ouvir mais aqui

No Tempo do Cinema – Biografia do escritor, professor, pensador e cinéfilo
Esta noite, a RTP2 transmite um documentário de 58 minutos sobre a vida e obra de João Bénard da Costa, pouco depois das 23:30. Este trabalho conta – para além do seu testemunho na primeira pessoa e com os depoimentos oriundos de vários quadrantes da sociedade – com Alberto Vaz da Silva, Vasco Pulido Valente, Alberto Seixas Santos, João Mário Grilo, Jorge Silva Melo, Miguel Lobo Antunes, Fernando Lopes, Maria João Seixas, Agustina Bessa-Luís, Manoel de Oliveira, Manuel S. Fonseca, Rita Azevedo Gomes, José Manuel Costa, Paulo Filipe Monteiro, Guilherme d’ Oliveira Martins, Lucília Alvoeiro, Maria Alice Castro, e os quatro filhos, João Pedro, Mónica, Sofia e Ana.

Invenção do Cinema Português
Lançamento do livro «A Invenção do Cinema Português» de Tiago Baptista, em Dezembro de 2008 (edição Pó dos Livros).
Um dos últimos eventos públicos em que esteve presente João Bénard da Costa.
Ver e ouvir aqui

«A 15ª Pedra» Conversa Filmada entre Manoel de Oliveira e João Bénard da Costa, com realização de Rita Azevedo Gomes e transmitida pela RAI-tre (Itália).
1ªParte (07:29”)
2ªParte (07:20”)
3ªParte (08:14”)

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Festival Indie Songs Don't Lie










Dia 16 (Sábado) CONVERSAS: PROGRAMAÇÃO MUSICAL – ESTRUTURAS ALTERNATIVAS - Vitor Belanciano (jornalista do PÚBLICO-Ípsilon); João Araújo (programador do Estaleiro Cultural Velha-a-Branca em Braga); Pedro Jordão (programador do Mercado Negro em Aveiro); Gonçalo Castro (RDP-Antena 3)
16 de Maio - 16:00 no Foyer do TAGV, Coimbra

20 de Maio (Quarta-feira) HANDSOME FURS (Canadá) Press Release; My Space
21 de Maio (Quinta-feira) PETER BRODERICK (Estados Unidos) Press Release; My Space
(1.º parte) NILS FRAHM (Alemanha) My Space

Local: Via Club, Coimbra (22:00)
Preços: Entrada 2 dias: 15€; Entrada 1 dia: 8€

Reservas: geral@lugarcomum.pt
Mais pormenores para ver e ouvir aqui

Após os concertos decorrerão after-partys promovidas pela «Lugar Comum»








Entrevista a membros do actual corpo dirigente da LUGAR COMUM:
Um lugar [pouco] comum
Uma dinâmica Associação Cultural. A descobrir em Coimbra

There is a place with a bit more time
and a few more gentler words
Morrissey

LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural

sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Festa e debate nos 25 anos da Íntima Fracção





A «ÍNTIMA FRACÇÃO» é um dos mais antigos programas da rádio portuguesa, realizado por Francisco Amaral. Completou a 8 de Abril passado 25 anos de emissões regulares. Foi transmitido pela primeira vez em Abril de 1984 na Antena 1. Entre 1989 e 2003 foi transmitido pela TSF. Depois passou pela RUC, RUM e pelo RCP. Desde Abril de 2008 que é um podcast distribuído exclusivamente no Expresso Online.












Este sábado, 9 de Maio, na LXFactory/LerDevagar, comemora o 25 º aniversário com um evento que vai contar com uma série de mini show-cases de artistas portugueses que fazem música dentro do ambiente da «ÍNTIMA FRACÇÃO»: Carlos Gutkin, Adriano Filipe e Pedro Marques (ex-teclista dos Alla Polacca). A festa encerra com um especial comeback de NÉ LADEIRAS (ex-animadora de Rádio na Antena1 e TSF) que cantará uma das músicas "du coeur" do autor da «ÍNTIMA FRACÇÃO»: a eterna canção “God Only Knows” dos lendários Beach Boys [do álbum «Pet Sounds», 1966].

Há ainda lugar a conversas com convidados sobre programas de rádio de autor e as alternativas de distribuição como os podcasts.

ENTRADA (obviamente) LIVRE!

A livraria LerDevagar fica na LXFactory, antiga Gráfica Mirandela em Alcântara, Lisboa.











Íntima Fracção: Expresso online
Carlos Gutkin: http://www.myspace.com/carlosgutkin
Adriano Filipe: http://www.myspace.com/adrianofilipe
Alla Polacca: http://www.myspace.com/allapolacca
Né Ladeiras: http://neladeiras.no.sapo.pt/

sexta-feira, 10 de Abril de 2009

ÍNTIMA FRACÇÃO – 25 anos

Sempre pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir










O histórico programa «Íntima Fracção» de Francisco Amaral completou, no passado dia 8, vinte e cinco anos de vida. Um marco da Rádio em Portugal, apesar de o actual percurso se fazer em exclusivo na Internet. Para assinalar a data, Francisco Amaral publicou já a primeira de 25 edições especiais com a inclusão dos sons e textos mais representativos da história da «Íntima Fracção».

Saber mais aqui: IF-25 ANOS

Ler texto publicado por Hugo Pinto no blogue «Irmandade do Éter»
Ver video de Paulo Abrantes sobre a «Íntima Fracção»

Mais sobre a «Íntima Fracção» na «Rádio Crítica»:
Abril 1984; Janeiro 1987; IF23; IF 24 anos
Entrevista a Francisco Amaral: 25 Fevereiro 2006.
Clássicos musicais da IF em lista publicada em 2005: IF 09 Abril 2006
Texto sobre os 20 anos da «Íntima Fracção»: 08 Abril 2004







Uma primeira história
Está também a partir de hoje disponível pela primeira vez na Internet a emissão do quinto aniversário da «Íntima Fracção», transmitida em directo na RDP-Antena1 na madrugada de Domingo para Segunda-feira, 09 para 10 de Abril de 1989. Há exactamente vinte anos. É uma emissão especial, em que o autor de sempre – Francisco Amaral – conta a história da «Íntima Fracção» desde a origem até aquela data. Sentia-se que era o fim do primeiro dos vários ciclos que a «Íntima Fracção» conheceu ao longo deste quarto de século. Palavras para escutar com muita atenção para quem segue o programa e que, até hoje, desconhecia a história dos primeiros cinco anos de vida. Boa audição e fruição.

ÍNTIMA FRACÇÃO - emissão do 5º aniversário

Alinhamento musical da primeira parte:

Sétima Legião – Mar de Outubro (Indicativo)
Harold Budd – The Room
Tim Buckley – Morning Glory
Brian Eno & Harold Budd – Still Return
Virginia Astley – Afternoon: Out On the Lawn I Lie In Bed
Laurie Anderson – Walking and Falling
This Mortal Coil – Song to the Siren
Tom Verlaine – Oh Foolish Heart
Harold Budd – The Real Dream of Sails
Suzanne Vega – The Queen and the Soldier
autor desconhecido – instrumental solo piano

Alinhamento musical da segunda parte:

Sétima Legião – Mar de Outubro (Indicativo)
This Mortal Coil – Velvet Belly
Cluster & Eno – Schone Hande
This Mortal Coil – Ivy And Neet
John Cale – (I Keep a) Close Watch
Harold Budd – Algebra of Darkness
Suicide – Surrender
autor desconhecido – instrumental
Erik Satie – Gymnopedie
David Sylvian & Robert Fripp – Camp Fire: Coyote Country
David Sylvian & Robert Fripp – A Bird of Prey Vanishes Towering Trees
Joy Division – Transmission
autor desconhecido – voz crooner (extracto)
The Smiths – I Know It’s Over
Brian Eno & Harold Budd – Among Fields of Crystal
Durutti Column – Tomorrow
Harold Budd – The Room
Nick Cave & The Bad Seeds – The Carnival Is Over
Charles Trenet – Que Reste-t-il De Nos Amours
The Beatles – A Day in the Life (extracto final)
Sétima Legião – Mar de Outubro (Indicativo)


Ouvir /download





Historial cronológico do percurso da «Íntima Fracção»:
1984 – 1989: RDP-Antena1
1989 – 2003: TSF-Rádio Notícias
2004 – 2007: RUC / RUM / ESEC Rádio on-line / podcast GavezDois
2007: RCP / podcast / EMArtv – Andaluzia (Espanha)
2008 – 2009: EXPRESSO On-line / podcast

terça-feira, 7 de Abril de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Márcia Santos
5ª Feira, 9 de Abril de 2009 (22:00)
Oficina Municipal do Teatro de Coimbra

A imprensa parece não ter dado ainda pela sua presença. As suas composições não circulam de iPod em iPod, remetendo-nos insistentemente para o pequeno leitor no canto superior direito do seu myspace. Passamos por elas uma vez, duas, três. Atentamos aos poemas, à doçura que encontramos nas vocalizações, à sua desarmante simplicidade. Escutamos os seus dedos enquanto estes percorrem as cordas, contamos o número de acordes que completam "A Pele Que Há Em Mim". Contamos ao outro quem é a Márcia.

Links:
Márcia - Myspace
Lugar Comum – Site
Preço 5€
Email: geral@lugarcomum.pt

A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do endereço geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de bilhetes pretendido, Nome, BI e Contacto).

LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural

terça-feira, 31 de Março de 2009

LINHAS CRUZADAS # 29

















A Vida e a arte do encontro na Música
Andy Partridge e Ryuichi Sakamoto

O guitarrista, cantor e compositor Andy Partridge é o líder e mentor dos XTC, uma banda inglesa que se formou em 1976 e que foi um dos nomes mais fortes da então chamada «New Wave», um movimento que vivia em contra ciclo face à cena Punk dominante nos mercados discográficos europeus. “Making Plans For Nigel” é hoje um clássico e é a canção mais emblemática dos XTC.
Ryuichi Sakamoto, músico e compositor japonês, foi líder e mentor do trio Yellow Magic Orchestra desde a sua formação em 1978 até ao ano da separação definitiva em 1993.
Em 1980, numa muito produtiva carreira a solo, Ryuichi Sakamoto convida Andy Partridge dos XTC para uma colaboração no álbum «B 2 Unit», no tema “Thatness And Thereness”.
Actualmente, os XTC ainda se mantêm em funções, embora o último registo discográfico date de 2001. Em paralelo e desde 1980, Andy Partridge mantém uma não muito regular carreira a solo, contando também com parcerias preciosas, entre elas com o pianista e compositor norte-americano Harold Budd.
Quanto a Sakamoto, continua com uma carreira muito activa, quer a solo, quer com numerosas colaborações – algumas das quais já demos eco em anteriores edições das «Linhas Cruzadas» – e às quais voltaremos aqui futuramente.
Por agora ficamos com o encontro em 1980 de Ryuichi Sakamoto e Andy Partridge no tema “Thatness And Thereness”.


Ouvir / download / podcast

terça-feira, 24 de Março de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















The Ruby Suns
5ª Feira, 26 de Março de 2009 (23:00)
Salão Brazil – COIMBRA


Links:
The Ruby Suns – MySpace
Last Fm do evento
Lugar Comum – Site
Preço 8€
Email: geral@lugarcomum.pt

No por vezes errático imaginário de Ryan McPhun encontramos uma frágil figura cuja relevância é maior que a imensidão na qual permanece perdida. Ao longo da primeira faixa de Sea lion, o fundador dos Ruby Suns relata-nos a desventura de um solitário pinguim azul, que afastado da sua colónia, se encontra à deriva, ao sabor das inconstantes ondas do Pacífico Sul, o mesmo Pacífico que segundo McPhun trará ambos de volta a casa. Nascido na cidade de Ventura, California, McPhun cedo partiu para distantes paragens, rumando ao Quénia, seguindo-se a Tailândia e finalmente a Nova Zelândia. Ali conheceu Amee Robinson e juntos fundaram o projecto The Ruby Suns, inicialmente denunciando uma irreversível atracção pelo legado de Brian Wilson [Beach Boys], tendo no entanto rapidamente evoluído para um combo tropicalista do qual nada é deixado de fora. «Sea lion», o seu segundo álbum de originais, aclamado pela imprensa ao longo de 2008, cruza a pop solarenga dos Beach Boys e dos Animal Collective com os ritmos e vibrantes vocalizações da África Austral, cabendo ainda neste melting pop uma marcada componente electrónica e alguns traços de noise ou psicadelismo. Os seus concertos são marcados por uma rara efervescência, como que espontâneos exercícios de contagiante inclusão. Na noite de 26 de Março, em Coimbra, espera-se uma celebração. Nessa mesma noite, todos nós nos deixaremos levar por uma inconstante onda vinda do Pacífico Sul.

Discografia:











«The Ruby Suns» (2005) «Sea Lion» (2008)

A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do endereço geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de bilhetes pretendido, Nome, BI e Contacto).
Após o concerto decorrerá uma after-party promovida pela Lugar Comum.
LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural
Co-produção Lugar Comum & RUC no âmbito da comemoração do 23º aniversário da Rádio Universidade Coimbra

sábado, 21 de Março de 2009

Equinócio 09









O que eles dizem (44)

"Adoro pensar na natureza como uma estação de Rádio ilimitada, através da qual Deus fala connosco a todas as horas se nos sintonizarmos."

George Washington Carver
Cientista norte-americano

quinta-feira, 12 de Março de 2009

RÁDIO COMERCIAL 30 anos









No dia 12 de Março de 1979 era inaugurada a «Rádio Comercial»; o canal comercial da Radiodifusão Portuguesa. Uma criação de João David Nunes que deu fama e proveitos e que chegou ao fim com a privatização em 1993.
Trinta anos depois mantém-se o nome da estação e o endereço das instalações, no mítico corredor da Rua Sampaio e Pina em Lisboa, mas a rádio é outra e totalmente diferente. Em 16 anos de estação privada mudou de figurino e perfil mais vezes do que seria saudavelmente recomendável e, em 2009, tem (e mantém) como missão perseguir a rival RFM e tem como objectivo (único?) ultrapassá-la nas audiências. Muito pouco para uma estação de envergadura nacional. Não foi para isto que se fez a Rádio Comercial em 1979. Mas os tempos são outros e mudaram mesmo muito para a Rádio Comercial. Continua a ser uma marca referencial no mundo da Rádio nacional, mas o modelo de negócio em que assenta está a esgotar-se a cada minuto que passa. Um cenário que ainda se encontra em processo de negação e que não é apenas para a Rádio Comercial.
Três décadas depois não se encontra “no ar” nenhum dos nomes de origem. Grande parte dos nomes que fizeram da Rádio Comercial uma rádio de referência em Portugal estão vivos e alguns deles ainda no activo (José Duarte, Júlio Isidro, Luís Filipe Barros, António Sérgio, Aníbal Cabrita, etc). No entanto, nenhum destes nomes – e outros – estão na actual Rádio Comercial. O ângulo de visão dos factos fazem depender uma interpretação positiva ou negativa dos mesmos. Pessoalmente acho que estes factos não são positivos, demonstrando desde logo que a carreira profissional na Rádio tende a ser cada vez mais curta. A lógica empresarial dominante (na Rádio e fora dela) sente-se incomodada com a existência de quadros acima dos 45 ou 50 anos e prefere ter jovens remuneradamente “exploráveis”, mesmo que muito competentes e promissores. Na Rádio portuguesa a RDP é o único caso visível em que ainda é possível para alguns profissionais (não todos) envelhecer na Rádio com alguma dignidade.

Sobre a Rádio Comercial e temas relacionados ver na «Rádio Crítica»:

«Rádio Comercial – Doce Mania de Rádio»; «Rádio Comercial anos 80»; «Outros Programas da Rádio Comercial nos anos 80»; «Paradeiros»; «E você? Ainda está aí?»; «Num domingo qualquer»; «À Sombra de Edison»; «As Noites Longas do FM Estéreo»; «A Voz do Lobo»

quarta-feira, 11 de Março de 2009

Abraçar o Tempo na Rádio











Acabado de sair o novo trabalho discográfico do norte-americano M. Ward. Ouvido na Rádio, até agora, nos programas «Discos Voadores» na RADAR e «Quase Famosos» no RCP. A canção “Hold Time”, tema de apresentação do álbum com o mesmo nome editado no passado dia 17 de Fevereiro.
Nas imagens do vídeo – da autoria do próprio M. Ward – o retrato a preto e branco do reflexo da solidão e da frieza nas grandes cidades. Apesar da actividade e do movimento sem parar, não se vê uma única pessoa!O autor de “Chinese Translation” e “Post-War” está de regresso com novas canções que nos põem a pensar no propósito de tudo isto a que chamamos “Vida”.Neste 2009, a melhor canção de Verão (enfim, de um certo tipo de Verão…) apareceu no frio do Inverno. E “deu” na Rádio.



You were beyond comprehension tonight
But I understood
I understood If only
I could hold time
Hold time

Words have failed me tonight, failed me tonight
But you knew what I meant
You knew what I meant
Yeah, you heard what I said the whole time
The whole time

And I wrote this song about it
Cause I didn't care about worthless photographs
Yeah, I wrote this song just to remember the endless
Endless summer in your laugh
Endless summer in your laugh

quarta-feira, 4 de Março de 2009

RÁDIO ZERO 3 anos

















É na plataforma on-line que tudo se vai decidir quanto ao futuro da Rádio. E a «Rádio Zero» já leva três anos de adiantamento.

Ver os propósitos do projecto desta WebRadio: http://www.radiozero.pt/projecto/
Ver o sítio na Internet: http://www.radiozero.pt/


terça-feira, 3 de Março de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Erica Buettner
5 de Março de 2009 (23:00)
República do Kirsh – COIMBRA

Links:
MySpace de Erica Buettner
Erica Buettner na Blogotheque
Site Lugar Comum
LastFM do Evento
Preço: € 7
Email: geral@lugarcomum.pt

Quando escutamos pela primeira vez as suas composições, encontramos um traço familiar, que julgamos reconhecer de um prévio encontro. Ao convocar referências de um passado distante, seja um vinil de Joan Baez ou uma gravação perdida de Nico, Erica Buettner pretende perpetuar o seu legado. O registo intimista encerra a memória da folk enquanto expressão de um autor preso à solidão do palco. A melancolia que percorre a sua escrita e cada uma das faixas que interpreta, é também ela portadora de uma dimensão narrativa, que encontra na sua voz e na guitarra a sua companhia. Será numa pequena sala do Kirsh que Erica Buettner se apresentará ao público de Coimbra. A escolha de um espaço exíguo como aquele decorre dos traços da própria actuação, que se pretende depurada e cúmplice.

(Dado o exposto, encontram-se abertas as reservas de entradas através do email geral@lugarcomum.pt, atendendo ao facto de que o reduzido número de lugares aconselhará a uma atempada reserva)

Após o concerto decorrerá uma after-party da «Lugar Comum».
LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural

sábado, 28 de Fevereiro de 2009

LINHAS CRUZADAS # 28












A Vida e a arte do encontro na Música

Elvis Costello e Robert Wyatt, no tema “Shipbuilding”. A canção também é assinada por Clive Langer e foi escrita para a voz de Robert Wyatt.
Decorria a guerra das Malvinas, as Ilhas Falkland no Atlântico sul: o conflito armado que opôs a Argentina e a Grã-Bretanha nos inícios da década de 80.
A canção “Shipbuilding” é de forte vertente política, altamente crítica face à governação neo-liberal de Margaret Thatcher, a então chefe do governo do Reino Unido. Uma composição directamente contra o absurdo de uma guerra para nada. “Shipbuilding” fala da falsa vantagem de se construírem navios num sector de actividade que, até a guerra começar, vivia em profunda crise. Eram os dias negros do drama social britânico da fome e do desemprego nas portos londrinos, até que a guerra fez explodir a produção de embarcações para a guerra nas Malvinas. O conflito durou pouco mais de dois meses, foi ganho pelos ingleses, e a recessão económica continuou.
A crítica política sempre foi uma temática na obra de Robert Wyatt, antes e depois de “Shipbuilding”. Ainda hoje, o ex-líder dos Soft Machine continua a escrever e a interpretar temas de cariz político. No mais recente disco: «Comic Opera», editado em 2007, Robert Wyatt não perdeu o ensejo de criticar abertamente a invasão do Iraque por parte dos Norte-Americanos que, por sua vez, foram decisivos no apoio aos ingleses na guerra das Malvinas. Indo mais atrás, ainda na primeira metade dos anos 80, Robert Wyatt dedicou e gravou temas contra o ‘Apharteid’ na África do Sul e a invasão de Timor-Leste por parte da Indonésia, uma vez mais com o apoio dos Estados-Unidos.
A escolha da dupla de autores para cantar “Shipbuilding” não foi por mero acaso. Robert Wyatt manteve-se constantemente como apologista do lado esquerdo da política.
De “Shipbuilding” há uma interpretação de Elvis Costello a solo, mas a versão definitiva é a de Robert Wyatt em 1982.



Ouvir / download / podcast

Outras interpretações de interesse do tema “Shipbuilding”:
Robert Wyatt (ao vivo na TV em 1983)
Elvis Costello & The Attractions (ao vivo)
Tasmin Archer (1994)
Suede (versão de estudio em 1995)

sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

QUANDO A MÚSICA ESTÁ A MAIS










A iniciar este texto, uma inequívoca declaração de interesses: Sou amante de música desde sempre, consumidor em grande escala e ex-divulgador de música na Rádio; actualmente divulgador a espaços na blogosfera.

Acho que a música na Rádio deve ser mais – muito mais – que um mero utensílio de uso fácil para “preenchimento” de antena; verbo-de-encher; tapa-buracos; último recurso quando já não há mais nada e tem-se que evitar a “branca” na emissão; etc. A música na Rádio tem, terá e deverá ter sempre espaço privilegiado na Rádio. Mas não “porque sim”, ou através de playlists inócuas, desprovidas de critério e coerência estética; escolhas sem se saber porquê e para quê. A música emitida pela rádio tem sido, por vezes (vezes a mais e durante demasiado tempo) mal tratada, sem sapiência e a servir de tapete para todos os pés. E a história da Rádio em Portugal (não só em Portugal) está, neste caso, escrita com páginas muito negras, até por quem mais e melhor a devia defender. Quer seja a Música quer seja a própria Rádio. É um assunto a merecer outras e futuras reflexões.
O assunto que aqui quero trazer – embora estejam ligados – é outro: os programas, alguns deles muito bons, que não deviam conter música e que se prejudicam com isso, prejudicando por inerência a própria música. Refiro-me concretamente a programas de palavra e cuja essência é a conversa, formal ou informal, a troca de ideias, a transmissão de pensamentos, exposição de histórias pessoais, colectivas e outras.
A não ser que os intervenientes convidados sejam músicos ou estejam directamente ligados ao meio musical, justifica-se a passagem de temas musicais nesses espaços? Para quê? Para intervalar? Se sim, é mais ou menos discutível. Mas tem a mesma consequência comum a todas as opções deste género, que é o corte desnecessário da palavra num programa de palavra. No fundo trata-se de um paradoxo que parece não incomodar quem faz os programas. A mim incomoda-me, porque num programa de palavra quero ouvir a conversa – de preferência – sem interrupções do princípio ao fim. Acresce a isto que as escolhas musicais, ainda e sempre subjectivas, podem não ser do agrado de quem ouve. Vivemos numa sociedade em que ninguém parece ter paciência para ouvir ninguém e os desvios, a fuga à profundidade dos assuntos, até dos mais agradáveis, são corrompidos por cortes sucessivos até o objectivo último da palavra ficar totalmente liquidado.
A opção por palavra-música-palavra-música é um estilo antigo, ultrapassado. Fez sentido e teve a sua fama e proveito nos tempos áureos das transmissões em Onda-Média e nos primórdios do FM em Portugal, numa altura em que a Frequência Modulada ainda não era muito escutada (por desconhecimento; falta de cobertura; aparelhos receptores sem FM; etc.).
As programações das rádios de hoje em dia ainda estão repletas de exemplos destes, contrariando a tendência natural que é a especialização dos conteúdos. Um programa de palavra é de palavra, um programa de música é de música. Salvaguardando as excepções que se impuserem. Acontece que as excepções são a regra dominante deixando, por isso, de haver excepções à regra.

(do que tenho ouvido) Quando a música ESTÁ a mais:

No programa «Um Café e Uma Torrada», de Álvaro Costa nas manhãs de Sábado na Antena1 (11:00/12:00). Há matéria verbal suficientemente abundante para dispensar a música, não só pela qualidade dos convidados, como – principalmente – pela excelência do condutor da emissão. A introdução do estranho elemento música só vem para atrapalhar. Está completamente a mais.

No programa «Porque Hoje é Sábado / Domingo», de Ana Bernardino no RCP, nas manhãs de Sábado e Domingo (07:00/08:00). O espaço está bem desenvolvido, equilibrado nos conteúdos, com convidados no estúdio ou por telefone, recuperando outros pequenos espaços da estação anteriormente emitidos e abordando assuntos variados. O que está mesmo a mais é a música, com duas ou três canções a despropósito (ou a propósito de nada), mesmo que sejam aceitáveis em termos de qualidade. Roubam tempo ao pouco tempo do espaço.

No programa «Nuno e Nando», nas manhãs de Sábado na Antena3 (11:00/13:00) de Nuno Markl e Fernando Alvim: Quase sempre (ou mesmo sempre) com convidados em estúdio. É um programa de conversas e entrevistas em tom informal, muito dinâmico e vivaz e que também inclui música. Com tanta gente para falar em duas horas é preciso música para quê?

No programa «O Amor É», nas manhãs de Domingo na Antena1 (10:00/11:00) de Júlio Machado Vaz e Inês Menezes: um espaço semanal que ronda os 50 minutos que, sendo um programa de palavra, inclui música. Dois temas por emissão, com a segunda e última escolha a fechar a emissão. As escolhas são divididas pelos interlocutores. Para desanuviar, em caso de o assunto da conversa estar a ser um pouco mais difícil? Para mudar de assunto? Mas não raro, retoma-se a conversa no ponto onde tinha ficado. E se às vezes a música até pode caber a propósito, outras vezes é só “porque sim” ou porque – nas palavras do próprio co-autor Júlio Machado Vaz – “Porque me apeteceu”. Simplesmente. E vale a pena?

No programa de Pedro Rolo Duarte, nas manhãs de Domingo na Antena1 (11:00/12:00). Os convidados são predominantemente autores de blogues. Desde os mais conhecidos a outros tantos menos conhecidos ou mesmo completamente desconhecidos, a conversa é cortada e encurtada por música. E, desta feita, a escolha é totalmente da lavra do apresentador, recaindo a selecção em faixas de um só disco. E quem estiver a adorar a conversa não gostar nada desse artista musical? Vive uma hora em conflito entre o “fico” ou vou “picar outra”. É o suficiente para mudar de vez de estação e, a essa hora, a concorrência aperta.


(do que tenho ouvido) Quando a música pode NÃO estar a mais:

No programa «Prova Oral» de Fernando Alvim, com Cátia Simão na Antena3 (2ª a 6ªfeira; 00:00/02:00). Houve um tempo em que as emissões começavam sempre (!) com uma música. E porquê? Certamente porque sim, mas desde há uns tempos que essa pratica desnecessária foi abandonada. O “Fórum” de final de tarde na Antena3 ganhou mais uns minutos de boa conversa num espaço sempre muito concorrido pelos ouvintes e bem preenchido pelos convidados e apresentadores. Não raras vezes termina a saber a pouco.

No programa «Fala Com Ela», de Inês Meneses na RADAR (Sábado 12:00/13:00; Domingo 19:00/20:00). Conversas em forma de entrevista ou entrevista em forma de conversa, com tendência informal e de proximidade. Algum intimismo até. As escolhas são dos convidados (numa fase inicial a primeira e última escolha pertenciam à autora) e contribui para se revelarem um pouco mais através das músicas que levam ao programa. Às vezes vem mesmo a propósito da conversa. Podiam era ser menos. São quatro, sendo a última escolha a que encerra o espaço.


(do que tenho ouvido) Quando a música NÃO está a mais:

No programa de Jorge Afonso na Antena1 (2ª a 6ªfeira; 00:00/02:00). O espaço é suficientemente alargado e pouco ficará por dizer, ou seja, a presença da música não compromete a densidade da palavra. O equilíbrio acontece aqui como em mais nenhum dos anteriores programas descritos. É, neste aspecto, o melhor exemplo que conheço.


Nota final: Alguns destes e outros programas de palavra são disponibilizados na Internet (audição/download/podcast) e pode-se saltar por cima da música para se chegar de novo à palavra. E quando isso acontece – creio que maioria dos cibernautas o faz – só reforça a convicção de que a música está mesmo a mais.
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O que eles dizem (43)










E a rádio? "Deixei de colaborar com a Antena 1, em Dezembro", disse. E porquê? "Bom, espero que tenha sido por questões financeiras e não por outra coisa qualquer", respondeu o humorista. O Tal País era um programa de crónicas na Antena 1, da RDP, que Herman José começou a fazer em Abril último. Aliás, a rádio foi um meio que Herman José sempre privilegiou, até porque sempre serviu de laboratório para experiências e onde nasceram programas e rubricas como Boião de Cultura, Herman Zap e Herman Enciclopédia e muitos dos seus "bonecos".

Herman José
In: «Diário de Notícias», Entrevista de Tiago Guilherme
Terça-feira 15 de Janeiro 2009












quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

R.I.P.?













Ao longo desta semana tem-se ouvido na Rádio um convidado [sob o pretexto de ser Figura Pública] a escolher música dizendo que Grace Slick, a incrível vocalista dos extintos Jefferson [“White Rabbit”] Airplane, já morreu. "Infelizmente já falecida", citando à letra. É uma ocorrência que sobeja quando se põe a falar pessoas que são conhecidas por outros méritos – daí serem figuras públicas ou com forte exposição pública – mas não por percebem de música (embora haja excepções).
Mas os “assassinatos” em directo, ou em diferido, também já foram subscritos por parte de quem devia perceber do que fala. Profissionais de Rádio, nas funções de animadores e jornalistas. E não por lapso, mas por “certeza” ou “convicção”. A falsa certidão de óbito não vem só na caixa do correio. Também pode vir da Rádio. Difundidas pela coluna do receptor já ouvi decretadas as “mortes” de, por exemplo, Brian Wilson ou Robert Wyatt. Venerandos senhores da música que, apesar de terem tido várias vidas ao longo da vida, ainda gravam discos e dão espectáculos para largas assistências. Sabendo-se que a morte chega a tempo de nos apanhar a todos – até aos ídolos! – mais vivo que eles não se pode estar. Grace Slick que o diga.

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O que eles dizem (42)

O que surgiu primeiro? A música ou o sofrimento?
As pessoas receiam que os miúdos vejam filmes violentos, que venham a ser dominados por uma cultura de violência. Ninguém se rala que os miúdos ouçam literalmente milhares de canções sobre desgostos de amor, rejeições, dor, sofrimento e perda.
Eu ouvia música pop porque me sentia terrivelmente infeliz? Ou sentia-me terrivelmente infeliz porque ouvia pop?


John Cusack
In: «Hi-Fidelity» de Stephan Frears (2000)
Texto original em inglês aqui

segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Os Óscares na Rádio










Em Portugal, em rádios de dimensão nacional, a transmissão em directo aconteceu na Antena3 e no RCP.
Na Antena3 a continuação dos últimos anos. Emissão conduzida por Jorge Alexandre Lopes [e Paulo Castelo, nos estúdios em Lisboa] com Álvaro Costa, José Paulo Alcobia, Tiago Alves e João Lopes [este ano no Café-Concerto do Teatro Rivoli no Porto].
No RCP, emissão conduzida pela jornalista Sofia Frazoa com dois convidados em estúdio: Cláudia Nunes e Rui Pedro Vieira.
A transmissão da Antena3 é a mais completa e a mais bem comentada. No entanto, levanta-se a questão: porquê na Antena3? O terceiro canal de radiodifusão da RDP é um canal destinado a um público jovem. Acontece que a cerimónia dos Óscares de Hollywood é um acontecimento transversal a várias gerações e daí, em minha opinião, ser mais apropriado ser transmitido no canal generalista que é a Antena1. A Antena3 não é o canal alternativo da Antena1. Ou é?

A maior festa mundial do Cinema, a ser transmitida pela RDP, só faz sentido na Antena1

terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Rádio Nostalgia

Janeiro 2009



Neste Janeiro gelado, aquece-se a memória através da saga da arqueologia sonora. Mais uma reaquisição resgatada ao passado. Desta feita com o acompanhamento das imagens que, salvo erro, foram emitidas pela primeira vez em Portugal no programa «Vivamusica» na RTP. Na Rádio, esta canção rodava amiúde nas emissões em FM da Rádio Comercial pela mão de Luís Filipe Barros e outros. Estávamos em 1982. A vocalista Dale Bozzio, ex-coelhinha da revista Playboy (na altura eu não sabia disso!), impressionava pelo arrojo no visual, pelo menos à luz dos padrões da sociedade portuguesa de então. "Words" dos Missing Persons (Los Angeles, 1980-1986) foi o maior sucesso da banda formada pelo baterista Terry Bozzio, músico conhecido por ter feito parte da banda de Frank Zappa. E, como é do conhecimento dos grandes apreciadores, Zappa não se deixava rodear senão pelos melhores.
O presente resgate de "Words" (tema gravado em 1981) é, mais uma vez, obra do companheiro da Rádio Pedro Picoto que, a par de outros, não conhece freio no rebuscar de signos rememorativos de outrora. Do nosso "outrora-agora". E continua!












Outro nostálgico dos 'eighties' é Tarzanboy, autor do blogue «Queridos Anos 80» - o tal blogue que dava um grande programa de Rádio. Sempre atento, sempre actualizado em relação à década a que se dedica. No próximo dia 21 de Fevereiro (Sábado, 22:00) mais uma das festas alusivas aos anos 80 (na vertente pop/comercial). É a 17ª e realizar-se-á no espaço «Ar D'Mar», em Vila Nova de Gaia. Pela primeira vez, as festas «Queridos Anos 80» sairão da cidade do Porto. O próprio Tarzanboy, no papel de DJ, estará fisicamente presente a cruzar discos para os dançantes. Go Ahed!

sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Groove is in the heart
















Vai na 5ªedição o podcast «Deep Mode». Foi inaugurado por Hugo Pinto no dia 11 de Dezembro de 2008. Uma outra faceta do autor do magnífico podcast musical «Miss Tapes». Desta feita, mais movimento nos alinhamentos musicais. Um outro lado anteriormente escondido e agora revelado. «Miss Tapes», repleto de paisagens contemplativas e reflexivas, anulavam por natureza um espaço mais acelerado e ritmado, agora contemplado em «Deep Mode». Mantendo a qualidade de «Miss Tapes», «Deep Mode» é um assumido "lado b" de Hugo Pinto. Na verdade, todos nós não somos 'apenas um'. De equilíbrios se faz a vida e a complementaridade está, no tempo presente, devidamente encontrada na expressão artística do podcaster Hugo Pinto. Eu entro na dança! E vocês?

Deep Mode reúne "mixes" de música que vibra com palavras como "viagem", "sonho", "hipnose", "ritmo", "balanço", "espaço" e "movimento". Deep Mode será uma espécie de "lado b" virtual das Miss Tapes. Ou uma sombra (coberta por reflexos de bola de espelhos). Músicas alinhadas seguindo uma narrativa e um instinto para ouvir com um só pensamento: "Groove is in the heart".

http://deep-mode.blogspot.com/

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Butcher The Bar
23 de Janeiro de 2009 (22h00)
Salão Brazil – COIMBRA

Links:
Butcher The Bar - MySpace
Last Fm da Lugar Comum
Last Fm do evento
Preço € 5 (+ oferta de pin para associados)
A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do endereço prettysongsdontlie@gmail.com (com indicação de número de bilhetes pretendido, Nome, BI e Contacto) ou telefonicamente junto do Salão Brazil (Tlf: 239 824 217) com as indicações já citadas.












Na solidão do seu quarto, em Rotherdam (UK), Joel Nicholson (aka. butcher the bar), assinou as composições de Sleep at your own speed; um álbum que pela sua atmosfera acústica e frágeis vocalizações, tem captado a atenção de muitos daqueles que seguem de perto o legado de nomes como Elliott Smith ou Nick Drake. Aposta da reconhecida editora europeia Morr Music, Joel incorpora no seu trabalho o traço que define a já denominada bedroom folk, ou seja, um processo criativo autónomo, que depende apenas do DIY, executado sem sair de um estúdio improvisado em casa. O recurso a um simples laptop, ou a instrumentos comprados em "flea markets", é ilustrativo do desprendimento e da ingenuidade deste registo. Cada nota transporta a fragilidade e a honestidade da sua interpretação. A cada momento sentimos o pudor de invadir um espaço que parece pertencer apenas a Joel Nicholson. Espera-se por isso um concerto envolvente e intimista.
LUGAR COMUM - associação de promoção e divulgação cultural

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

LINHAS CRUZADAS # 27












Está on-line a edição nº 27 da crónica «Linhas Cruzadas».

Esta é a última edição das «Linhas Cruzadas» no «lado B». Agradeço a oportunidade concedida pelo autor do programa, Pedro Esteves, para trazer aqui, a este espaço que assinei durante exactamente três anos, alguns cruzamentos que a música tem produzido ao longo da História, tendo como preocupação essencial estar em sintonia com a paisagem e ambiente alternativo do «lado B».
Foi a minha estreia em formato podcast, para além da contínua passagem em simultâneo por diversos éteres aqui e além fronteiras (Rádio Ocidente; Antena Miróbriga; Rádio Voz do Entroncamento; Rádio Zero; Euradio Nantes).
O conceito das «Linhas Cruzadas» foi sempre o de trazer à tona momentos escondidos ou esquecidos de pessoas autoras de música que – algures a propósito de algum ideal – se encontraram para produzir algo em comum.
Esta não é uma despedida; é sim um fim de ciclo para dar lugar à inauguração de um outro e novo ciclo. Como disse o grande poeta brasileiro Vinicius de Moraes: “A Vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na Vida”.
O encontro de que vos falo hoje é entre um homem e uma mulher. Brendan Perry e Lisa Gerrard juntaram-se há trinta anos, em 1979. Nesse ano, na Austrália, fundaram a primeira formação embrionária de um projecto musical que pouco mais tarde viria a ter o nome de Dead Can Dance. Desde cedo perceberam que na Grã-Bretanha teriam as suas expectativas artísticas devidamente satisfeitas e, com uma mão à frente e outra atrás, rumaram a Londres onde, em apenas três anos, viram compensada tamanha aventura na vida. Viveram juntos vinte anos e, depois disso, seguiram caminhos separados ainda que artisticamente unidos por algum tempo. Lisa Gerrard regressou à terra natal na Austrália, Brendan Perry continuou na sua igreja-estúdio na ancestral Irlanda.
A arte do reencontro aconteceu em 2005 para uma digressão mundial da qual não há, pelo menos por enquanto, um disco ilustrativo desses espectáculos que esgotaram lotações na Europa e na América. Há no entanto o registo de um memorável concerto ao vivo dos Dead Can Dance nos Estados Unidos, em Outubro de 1994, naquele que foi o derradeiro espectáculo ocorrido no Mayfair Theatre em Santa Mónica, na Califórnia. Depois, o teatro foi demolido por causa da instabilidade estrutural provocada por um abalo sísmico.
Neste início de 2009, os Dead Can Dance continuam algures por aí… e nós também.

Ouvir/download/podcast


Este não é o fim da linha para as «Linhas Cruzadas». As edições vão continuar aqui, na «Rádio Crítica», com a manutenção de uma crónica mensal e que, para além das imagens e texto, terão publicação em podcast e permanecerão em linha para descarga do ficheiro sonoro (download). Em Fevereiro próximo a edição nº 28.

Os Dead Can Dance estão na agenda deste ano na «Rádio Crítica». Na celebração dos 30 anos da fundação embrionária da banda liderada por Brendan Perry e Lisa Gerrard, irão aparecer aqui ao longo de 2009 os momentos chave das três décadas da formação que foi um dos três nomes fundamentais da editora independente britânica 4AD nos anos 80 e 90.
Também os Cocteau Twins serão aqui evocados, igualmente a propósito das três décadas da fundação do grupo de Robin Guthrie e Elizabeth Fraser.
Neste ano 2009, Dead Can Dance e Cocteau Twins reforçam a infindável lista de artistas que não passam na Rádio. Pelas razões menos nobres, também eles fazem parte da série de "Songs They Never Play on The Radio".

quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Bossa Nova – 50 Anos 50 Clássicos (50)
















Chega hoje ao fim a série "Bossa Nova 50 anos 50 clássicos" aqui na «Rádio Crítica». A última canção a figurar não podia ser outra a não ser o maior dos muitos e bons clássicos da Bossa Nova: "Garota de Ipanema».
É uma das canções com mais versões em todo o mundo. São incontáveis e encontram-se na casa dos milhares. Todos os anos são gravadas novas interpretações e é assim desde 1964, depois da histórica gravação do álbum que juntou num estúdio de Nova Iorque João Gilberto, Astrud Gilberto, Antonio Carlos Jobim e Stan Getz.
Desde as actuações no Au Bon Gourmet, em 1962, no célebre acontecimento conhecido por "O Encontro", que João Gilberto e Antonio Carlos Jobim não actuavam juntos. Fizeram-no pela segunda vez 30 anos depois e já sem Vinicius de Moraes. É desse reencontro que surge esta interpretação de "Garota de Ipanema", em 1992.

João Gilberto: Tom, e se você fizesse agora uma canção que possa nos dizer, contar o que é o amor?

Tom Jobim: Olha Joãozinho, eu não saberia sem Vinicius para fazer a poesia.

Vinicius de Moraes: Para essa canção se realizar, quem dera o João para cantar.

João Gilberto: Ah, mas quem sou eu, eu sou mais vocês, melhor se nós cantassesmos os três.

GAROTA DE IPANEMA
(Tom Jobim/Vinicius de Moraes)

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem que passa
Num doce balanço
A caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado
É mais que um poema
É a coisa mais linda
Que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho?
Ah, porque tudo e tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo sorrindo
Se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor
















João Gilberto é, de todos, o artista mais representativo do movimento Bossa Nova. É, em 2008, o maior ícone vivo da cultura brasileira.
Vinicius de Moraes o poeta diplomado da Bossa Nova, ou como o próprio se decretou, o branco mais preto do Brasil. Nenhum outro escreveu o Amor na música como ele.
António Carlos Jobim o Maestro soberano, que exalava melodia por todos os poros. Sabiamente refutou a ligação da Bossa Nova ao Jazz no sentido de não aceitar a Bossa Nova como sendo um género derivado do Jazz, mas sim um género totalmente novo. E tinha razão. Há ligações da Bossa Nova ao Jazz, mas apenas em cruzamento. Têm origens muito diferentes e distantes. Bossa Nova é SAMBA!

Astrud Gilberto
É dela a voz que canta a parte em inglês da canção. Primeira mulher de João Giberto e a primeira com quem «O Mito» partilhou a vocalização de uma canção.
A verdadeira e total internacionalização da Bossa Nova aconteceu a partir daqui, mas ainda na década de sessenta viria a ter um segundo e grande momento além fronteiras e outra vez com origem nos Estados Unidos. Frank Sinatra, encantado pela beleza melódica e pela plasticidade da Bossa Nova, telefona a Antonio Carlos Jobim a convidá-lo para gravarem um disco. Foi em 1967 que aconteceu «Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim». Nesse trabalho encontram-se novas versões de clássicos da Bossa Nova. Para além da "Garota de Ipanema"/"The Girl From Ipanema" estão "Insensatez"/"How Insensitive"; “Dindi”; "Meditação"/"Meditation"; “Corcovado”/Quiet Nights of Quiet Stars” e “O Amor Em Paz”/”Once I Loved”. No ano seguinte, «Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim» ganha o Grammy de melhor álbum, tirando o prémio ao álbum «Sjt. Pepper' s Lonely Hearts Club Band» dos Beatles.

THE GIRL FROM IPANEMA

Tall and tan

And young and lovely

The girl from Ipanema

Goes walking

And when she passes

Each one she passes

Goes ahhh

When she walks

She's like a samba

That swings so cool

And sways so gently

That when she passes

Each one she passes

Goes ahhh

Oh, but he watches so sadly

How can he tell her he loves her

Yes, he would give his heart gladly

But each day when she walks to the sea

She looks straight ahead not at he

Tall and tan

And young and lovely

The girl from Ipanema

Goes walking

And when she passes

He smiles but she doesn't see

She just doesn't see

Antonio Carlos Jobim & Frank Sinatra num especial da TV norte-americana. O maestro tropical divide as luzes da ribalta com a voz de veludo. Um medley do álbum que gravou com Sinatra que inclui, para além de outros clássicos da Bossa Nova, "The Girl From Ipanema" na versão bilingue. É notável a coragem de Jobim em cantar ao lado do então melhor cantor do mundo!


Outra interpretação bilingue Português/Inglês de "Garota de Ipanema"/"The Girl From Ipanema". António Carlos Jobim com o crooner norte-americano Andy Williams no dia 15 de Março de 1965.




Antonio Carlos Jobim & Vinicius de Moraes – "Garota de Ipanema"
Ao vivo em Itália, na cidade de Milão no dia 18 de Outubro de 1978. Com Vinicius e Jobim estavam também Toquinho e Miúcha. Uma histórica digressão pela Europa onde só faltou mesmo a presença de João Gilberto. No final da canção, Vinicius de Moraes relembra com Jobim como "nasceu" a Garota de Ipanema.




Joao Gilberto & Caetano Veloso - "Garota de Ipanema"
Meste João e discípulo Caetano ao vivo na capital do país das pampas no ano 2000.



Nesta série faltaram vários outros clássicos – alguns dos mais antigos – que não puderam ser aqui apresentados por inexistência de vídeos ou, a existirem, por escassez de qualidade para uma devida apreciação. Canções como "Bolinha de Papel”, “Trevo de Quatro Folhas”, “Coisa Mais Linda”, “Trenzinho (Trem de Ferro)”; “Saudade Fez Um Samba”, “Amor Certinho”, “Maria Ninguém”, “A Primeira Vez”, “Presente de Natal”, “Só Em Teus Braços”, “O Nosso Amor”, “Se é Tarde Me Perdoa” ou “Você Já Foi à Bahia?” ficaram de fora da série "Bossa Nova 50 anos 50 clássicos". Crónicas que deveriam ter passado na Rádio. Não passaram na Rádio, mas passaram aqui durante cinquenta dias até ao fim deste ano. Textos inicialmente escritos para Rádio adaptados para leitura on-line.




















Hoje, meio-século depois do grande começo, a Bossa Nova continua nova e é permanentemente renovada. Em todos os quadrantes do mundo ela é ouvida, consumida, apreciada e difundida.
As mais célebres composições de Tom Jobim ouvem-se nos mais diferentes locais desde aeroportos, hotéis, metropolitano, salas de espera, videowalls e, para além de tudo o mais, em rádios de todos os países dos cinco continentes.
Incrivelmente fresca e cristalina, a Bossa Nova continua o seu rejuvenescido percurso na cultura brasileira e mundial através de nomes como Bebel Gilberto, Paula Morelenbaum, Bossa Cuca Nova, Suba, Cazuza, Trio Jobim, Vinicius Cantuária, Arto Lindsay, Kátia B, Cibelle, Celso Fonseca, Erlon Chaves, Isabelle Antena e muitos outros.

As composições da Bossa Nova falam de amor, sonhos, desilusão e esperança. Referem a redenção do Homem e da Mulher através do Samba. Procuram a paz e a harmonia da vida. São letras tristes, na sua maioria, mas que buscam quase sempre uma saída airosa com final feliz. Dão largo espaço ao futuro. A simplicidade das intenções juntamente com a sofisticação dos arranjos conferem à Bossa Nova uma beleza única. É por ser uma grande Arte que resiste incólume à passagem do Tempo.

Reportagem da TV brasileira sobre João Gilberto: ver aqui


BOSSA NOVA – 50 ANOS 50 CLÁSSICOS
Para ler, ver e ouvir: 'clicar' sobre o nome das canções

01-CHEGA DE SAUDADE
02-
DESAFINADO
03-SAMBA DE UMA NOTA SÓ
04-O PATO
05-BIM BOM
06-O BARQUINHO
07-
CORCOVADO
08-INSENSATEZ
09-SAUDADE DA BAHIA
10-MANHÃ DE CARNAVAL
11-O AMOR EM PAZ
12-ÁGUAS DE MARÇO
13-
A FELICIDADE
14-ROSA MORENA
15-SÓ DANÇO SAMBA
16-ÁGUA DE BEBER
17-ELA É CARIOCA
18-
DINDI
19-SAMBA DA MINHA TERRA
20-EU VIM DA BAHIA
21-OUTRA VEZ
22-ESTE SEU OLHAR

23-MEDITAÇÃO
24-AQUARELA DO BRASIL
25-MORENA BOCA DE OURO
26-
CARINHOSO
27-SAMBA DO AVIÃO
28-AOS PÉS DA CRUZ
29-LOBO BOBO
30-EU SEI QUE VOU TE AMAR
31-
NÃO VOU PARA CASA
32-É LUXO SÓ
33-VOCÊ VAI VER
34-PARA MACHUCAR MEU CORAÇÃO
35-O GRANDE AMOR
36-
É PRECISO PERDOAR
37-SEM COMPROMISSO / RETRATO EM BRANCO E PRETO / TRISTE
38-
AVARANDADO
39-ESPERANÇA PERDIDA
40-SAMPA / MENINO DO RIO
41-
DORALICE
42-VIVO SONHANDO / LOUCO
43-CORDEIRO DE NANÃ / DE CONVERSA EM CONVERSA
44-BRIGAS, NUNCA MAIS / DISCUSSÃO
45-VOCÊ E EU / SE É POR FALTA DE ADEUS
46-RONDA
/
FOTOGRAFIA
47-ACONTECE QUE EU SOU BAIANO / CORAÇÃO VAGABUNDO
48-VOCÊ NÃO SABE AMAR / EU SONHEI QUE TU ESTAVAS TÃO LINDA
49-ASTRONAUTA (samba da pergunta) / WAVE /
ISTO AQUI O QUE É
50-GAROTA DE IPANEMA / THE GIRL FROM IPANEMA